Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 144 | Ano 15 | Jun 2010
LUIS FERNANDO VERISSIMO
L. F. VERÍSSIMO

verissimo

Ilustração: Ricardo Machado

Ilustração: Ricardo Machado

Poucas coisas na vida são tão impactantes quanto uma grande orquestra tocando num espaço pequeno. “Impactantes” é a palavra certa: o sonzão da banda nos bate no peito, nos cerca por todos os lados e nos derruba, quase que literalmente. Uma boa banda é empolgante em qualquer circunstância. Quando a circunstância é um bar onde o som não tem para onde ir a não ser pelos seus ouvidos, diretamente para suas entranhas, a experiência é inesquecível. Lembro que tive essa sensação quando ouvi a banda do Count Basie tocar no velho Birdland, em Nova York, há uns 200 anos. O Basie ainda era vivo e eu também. O Birdland que existe hoje, em outro endereço, é uma versão racionalizada do Birdland de então, um porão apertado, com o teto baixo. Você pagava a entrada, descia uma escada e podia escolher: para a esquerda tinha um cercado com cadeiras para quem só queria ouvir; para a direita, mesas para quem podia pagar mais, o que nunca era o meu caso. Ao primeiro acorde da banda do Count Basie, rebatido pelo teto baixo do Birdland, eu caí da cadeira. Exagero, mas foi como se.

Tudo isso para contar que tive uma sensação parecida há poucos dias ouvindo a banda Mantiqueira no bar Tom Jazz, em São Paulo. A orquestra, com suas 13 figuras, ocupava quase metade do espaço do bar, sem contar o mezanino. Música brasileira de primeira qualidade, feita por virtuoses brasileiros, liderados pelo legendário Proveta no sax alto e clarinete, autor, também, da maioria dos arranjos. Casa lotada e entusiasmada. Ao primeiro ataque da banda, só não caí da cadeira, nem metaforicamente, por falta de espaço. Fantástico.

Outra experiência inesquecível em São Paulo foi ouvir a Mônica Salmaso cantando num teatro com o André Mehmari. Só os dois, voz e piano. Uma das melhores vozes e um dos melhores pianos que você pode ouvir em qualquer lugar do mundo. E um repertório perfeito, que incluía o Senhorinha, do Guinga e do Paulo César Pinheiro, como se sabe a coisa mais bonita feita no Brasil depois da Patrícia Pillar.

E já que estamos falando de prazeres musicais, não deixe de ouvir o novo CD do Edu Lobo. Novas composições do Edu (algumas com o acima citado Paulo César) e alguns prazeres antigos, como quatro canções feitas pelo Edu com o Chico Buarque para os musicais Cambaio e o antológico Grande Circo Místico.

Marcado .Adicionar aos favoritos o permalink.
© Copyright 2014, Jornal Extra Classe - Todos os direitos reservados.

Os comentários estão encerrados.


CONTEÚDOS RELACIONADOS