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Nº 148 | Ano 15 | Out 2010
SAÚDE
ESPECIAL

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Arte: D3 Comunicação

Arte: D3 Comunicação

A prevenção do sofrimento mental passa pela forma como cada um encara a vida. Investir em momentos agradáveis e não apenas em bens materiais, trabalhar em atividade prazerosa, respeitar as próprias limitações quando se trata de concretizar sonhos. Estes seriam os ingredientes básicos da felicidade, apontam especialistas. Estudos recentes concluíram que o nosso cérebro se engana quando sonha que uma casa na praia, um carro do ano ou mesmo uma grande paixão podem proporcionar um bem-estar duradouro. O que nos asseguraria a felicidade em longo prazo, de acordo com os pesquisadores, seria gastar em atividades que tragam prazer e ajudem a estabelecer conexões sociais, como uma viagem, cursos ou mesmo uma refeição especial.

Estar bem consigo mesmo é o primeiro passo para prevenir doenças como a Depressão, que não só proporciona uma baixa qualidade de vida, como pode arrastar para enfermidades mais graves. “Depressão e Pânico surgem muito em decorrência do estresse e da insatisfação pessoal com o trabalho. A pessoa não encontra sentido no que faz, trabalha apenas para poder consumir”, diz Roséli Cabistani. Segundo a psicanalista e professora da Faculdade de Educação da Ufrgs, grande parte das situações de sofrimento psíquico é decorrente de insatisfação profissional. Para ela, sentir que o trabalho não é apenas um gerador de renda, que tem uma função social e contribui para a melhoria da sociedade, é muito importante na promoção do bem-estar de cada um.

Desejar realizações que estão acima de suas capacidades também está no rol das posturas de vida que podem levar a um adoecimento do corpo e da alma. “É como um atleta que, quando jovem, tinha condições de realizar determinadas provas e com o passar do tempo a idade foi lhe impondo limitações físicas”, exemplifica o psiquiatra Marcelo Fleck, pesquisador na área de Depressão e Qualidade de Vida. Para ele é fundamental na promoção do bem-estar que a pessoa esteja sempre repensando e redirecionando suas metas de vida, diante de cada mudança ou acontecimento, pois o sofrimento é gerado pela falta de adaptação. “A qualidade de vida é um hiato entre as expectativas e as realizações. É necessário aumentar as realizações e diminuir as expectativas de acordo com o que está ao alcance”, sugere.

Assim como o conceito de qualidade de vida é subjetivo, pois cada um tem uma percepção e valoriza determinados aspectos mais que outros, os tratamentos para as doenças da alma podem seguir as mais variadas linhas. Uma não tão recente, mas pouco conhecida do público em geral, é a chamada filosofia clínica ou aconselhamento filosófico, que pesquisa a história de vida do paciente e trabalha com suas especificidades. “Ao analisarmos a trajetória de vida da pessoa, podemos saber quais movimentos devem ser feitos”, explica Lúcio Packter, filósofo clínico de Porto Alegre. Ele garante que a polêmica em torno deste uso específico da filosofia é mais mito do que realidade. “O que existe é uma discussão acadêmica. E isso tem que haver, senão vira dogma”, observa.

Tão importante quanto sair de um estado depressivo ou de pânico (doenças mais comuns) é evitar os caminhos que levam a ele. Aí valem as velhas e boas dicas como construir momentos agradáveis de convívio com a família e os amigos, trabalhar em atividades que tragam prazer, mesmo que signifique menos dinheiro, e encarar a vida e os problemas de uma maneira mais leve. Importante saber que a tristeza também faz parte da vida e nem sempre significa uma patologia. (Maricélia Pinheiro)

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