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Nº 162 | Ano 17 | Abr 2012
JOSÉ ALONSO
COLUNISTAS

Por José Antônio Alonso

José Alonso

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Apesar da curta história, aproximadamente dois séculos e meio, o desenvolvimento do RS tem apresentado formas de organização econômica, de algum modo, distintas ao longo do tempo. Nos primeiros tempos, obedecia a um modelo tipicamente primário exportador, a exemplo do país. As dificuldades impostas pela crise dos anos 1930 empurraram o país para um crescimento baseado na substituição de importações. O RS inseriu-se nesse movimento aproveitando a sua base de produção e consumo interno estabelecidos desde os primórdios da sua ocupação. Essa inserção assegurou, por várias décadas, a expansão sustentada de produtos como a carne bovina e lã e suas respectivas extensões industriais (frigoríficos, lanifícios etc.) dirigidas para o mercado doméstico nacional e para as exportações. Simultaneamente, a indústria gaúcha acompanhava os movimentos da economia nacional, mantendo um razoável grau de diversificação exercido, predominantemente, por um conjunto expressivo de pequenas e médias empresas.

Do final dos anos 1970 para cá, as transformações impostas pela reestruturação produtiva mundial exigiram um ajuste profundo nas economias dos países em desenvolvimento. Disso resultou uma década e meia (1980-1995) aproximadamente de adaptações ao novo patamar tecnológico, à nova situação das finanças públicas, ao combate à inflação. Todo esse ajuste foi realizado em meio a baixos níveis de crescimento do produto, à inflação elevada, e altas taxas de desemprego. As políticas econômicas conseguiram domar a inflação e o país transformou-se numa das áreas mais privilegiadas do globo para os investimentos industriais que se transferiam dos países centrais para a periferia do sistema. O RS entrou no verdadeiro leilão realizado no país para a atração de projetos de grande porte. Com isso, adensou um pouco mais a sua matriz industrial com a introdução de atividades “novas” em nosso meio (segmento automotivo) e a expansão de segmentos importantes e já existentes (química e petroquímica).

No século 21 o país parece ter recuperado a sua tradição desenvolvimentista, privilegiando a produção interna de segmentos dinâmicos como a indústria naval, a química e a petroquímica, por exemplo, ao mesmo tempo em que se transformou num importante player mundial na exportação de commodities. Todavia, todos esses avanços combinados com a crise (2008) nos países centrais e alguns entraves da política econômica (juros e câmbio), ainda remanescentes, têm causado todo o debate em torno da desindustrialização do país. A questão que se coloca é: Como o Rio Grande do Sul se insere nesse arranjo, ou ainda, que trajetória deve percorrer nas próximas décadas?

A trajetória da economia do RS deve contemplar uma de suas maiores potencialidades que é a diversificação da sua base produtiva. Na verdade, trata-se de aprofundar um processo que já está em marcha. Os exemplos mais recentes desse movimento são a introdução da indústria naval, das plantas de energia eólica e dos parques tecnológicos. Há ainda amplos espaços para diversificar tanto a agropecuária quanto a indústria regional, o que tende a assegurar uma trajetória mais estável de desenvolvimento para o estado.

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