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Nº 173 | Ano 18 | Mai 2013
ECARTA
DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

Subsídios auxiliam abordagem em sala de aula e desenvolvimento de projetos nas instituições
Foto: Igor Sperotto

Igor Sperotto

Márcia do Canto no lançamento dos materiais de apoio
pedagógico, no dia 4 de abril

Igor Sperotto

O projeto Cultura Doadora, da Fundação Ecarta, lançou em abril os primeiros materiais de apoio para auxiliar os professores da educação básica na abordagem do tema doação de órgãos e tecidos em sala de aula. As propostas estão disponíveis para download no site da Fundação (www.fundacaoecarta.org.br). Dirigido aos professores e ao mundo das instituições de ensino privado e público, o projeto apresenta no site informações sobre todo o processo de doação de órgãos e tecidos, depoimentos e  lmes, desmisti ca mitos e lendas sobre o assunto, orienta a prática e estimula a abordagem pelos professores, de forma solidária e construtiva.

Professores interessados em desenvolver projetos nas instituições de ensino podem buscar subsídios no site ou entrar em contato (fone 51. 4009-2971 e e-mail culturadoadora@ fundacaoecarta.org.br). “Precisamos multiplicar as experiências desenvolvidas por colégios como o Rainha do Brasil, em Porto Alegre, (projeto disponível no site da Ecarta) e o colégio Sinodal Rui Barbosa, de Carazinho, cujo professor, Luciano Bertani Albarello, teve sua medula compatível com uma receptora”, defende Marcos Fuhr, presidente da Fundação Ecarta.

Gesto que salvou uma vida

Mais de três anos depois de doar uma amostra de sangue e se cadastrar como doador de medula óssea, em 2010, o professor de Educação Física do colégio Sinodal Rui Barbosa, de Carazinho, Luciano Bertani Albarello, 31 anos, foi surpreendido com a notícia de que seu gesto poderia salvar a vida de outra pessoa. E foi o que aconteceu em fevereiro deste ano. A doação de medula possibilita o transplante em pacientes com leucemia e as chances de compatibilidade entre doador e receptor são raras – uma em cada cem mil.

Albarello, que estudou e mantém os  lhos na mesma escola onde leciona há uma década, relata que tudo começou no dia 23 de março de 2010, quando doou uma amostra de sangue para testes de compatibilidade e se cadastrou como doador de medula óssea.

Naquele dia, uma equipe do Hemocentro Regional de Passo Fundo estava visitando a escola para levar aos alunos e professores informações sobre transplante de células-tronco e inscrever voluntários no banco de doadores de medula. “Carazinho não tem posto de coleta e a ideia era viabilizar o cadastro de novos doadores sem a necessidade de ir a Passo Fundo”, explica. O professor foi um dos primeiros a doar uma amostra de sangue para testes de compatibilidade e se registrar como doador voluntário de medula. “O objetivo de iniciativas como essa é estender a mão ao próximo, fazendo com que a generosidade e a alteridade estejam presentes no cotidiano escolar”, destaca.

Em fevereiro deste ano ele recebeu um telefonema do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), que funciona junto ao Instituto Nacional do Câncer (Inca), informando que através de cruzamentos genéticos com sua amostra de sangue a equipe havia encontrado um paciente, uma mulher de 63 anos portadora de leucemia, que poderia receber um transplante de células-tronco por ser compatível com o futuro doador. “Foram necessárias duas idas ao Hospital Santa Marcelina, na zona leste de São Paulo, para uma bateria de exames clínicos e de nição do método a ser adotado para coleta do material, pois a doação pode ser feita por punções ou transfusão periférica”, relata Albarello. Os oncologistas optaram pela transfusão periférica, método semelhante a uma hemodiálise. “Esse processo é apenas desconfortável. Não senti dor em momento algum”, salienta.

“Esta foi uma experiência ímpar. Foi tudo muito novo para mim, mas sinto como se tivesse cumprido o meu dever. O mais importante é que, por meio de um projeto social realizado na escola, na qual eu estudei e agora sou professor, as portas se abriram para salvar uma vida. Torço muito pela recuperação da paciente e agradeço o apoio da minha família, colegas e amigos, que foram essenciais para a realização desse sonho”, completa.

Quem pode doar
Toda pessoa saudável dos 18 aos 55 anos pode se tornar um doador de medula óssea. O material é retirado do interior dos ossos da bacia do doador por meio de punções e a sua reposição pelo organismo ocorre em 15 dias.

Compatibilidade
São coletados do voluntário 5 mililitros de sangue para testes que de nem as características genéticas necessárias para a compatibilidade. As informações  cam cadastradas nos Registros de Doadores Voluntários de Medula Óssea. Quando um paciente necessita de transplante e não possui um doador na família, esse cadastro é consultado. Detectada a compatibilidade, o doador é chamado para exames complementares e para efetivar a doação.

Onde doar
O Hemocentro do estado (Hemorgs) realiza cadastro de voluntários de doadores de medula óssea: Av. Bento Gonçalves, 3722, Partenon, Porto Alegre, fone (51) 3336.6755 – www.hemocentro.rs.gov.br

Mais informações
Instituto Nacional do Câncer (Inca): www.inca.gov.br Fundação Ecarta: www.fudacaoecarta.org.br

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