Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 189 | Ano 19 | NOV 2014
EDITORIAL

O processo eleitoral que culminou com a reeleição da presidente Dilma Rousseff produziu alguns fenômenos dignos de análise, a exemplo da eleição ou reeleição de personagens obscuros ou risíveis. Parlamentares conservadores foram consolidados como maioria na Câmara dos Deputados que, de acordo com o Departamento Intersindical de Assessoramento Parlamentar (Diap), tem a bancada mais conservadora desde 1964. Um terço desses parlamentares são policiais ou militares, que passam a integrar a bancada da bala, lobby da indústria de armas. Em contrapartida, o número de deputados ligados às causas sociais ou ao movimento sindical foi reduzido drasticamente, sendo que a frente sindical encolheu de 83 para 46 parlamentares.

São evidências de uma guinada à direita na composição do Parlamento, que a cientista política e professora de História da Ufrgs, Céli Pinto, define como “o mais conservador desde sempre, excetuando o período da ditadura”. Esse processo de construção do pensamento conservador no país vem acontecendo há algum tempo, mas sua radicalização se dá ao longo dos últimos três anos, e tem o amparo de uma mídia altamente conservadora, avalia a especialista na entrevista desta edição.

A radicalização do debate e a onda de manifestações de ódio e preconceito que saturou as redes sociais após a divulgação dos resultados da votação que apontavam ampla vantagem da candidata do PT nos estados do Nordeste expõem a outra cara do eleitorado. Em um intervalo de 4 horas, na noite de domingo, 26, foram denunciadas ao SaferNet Brasil mais de 300 páginas criadas para disseminar o ódio e a discriminação na internet. Esse clima começou a ser gestado com a violência que esvaziou as manifestações de junho de 2013, como mostra reportagem da editoria de Política, a partir da análise de especialistas. Destaque ainda para a reportagem de capa desta edição, que mostra o difícil acesso à justiça, o preconceito, a marginalização e a violação de direitos a que são submetidas as presidiárias no país – apesar das experiências positivas de capacitação, assistência e humanização.

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