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07/01/2019
POLÍTICA

Enquanto o governo Bolsonaro caça os cargos em comissão que usaram a hashtag #MariellePresente, a PF mantém equipe no caso
Por César Fraga

Foto: Reprodução Facebook

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Nesta terça-feira, 8 de janeiro, completam-se 300 dias do assassinato da vereadora Marielle Franco e do chofer Anderson Gomes, no Rio de Janeiro, no dia 14 de março de 2018. “Três centenas de vezes que o sol se pôs sem nenhuma resposta a esse assassinato político e brutal”, tuitou o deputado federal Marcelo Freixo (Psol/RJ). Aliás, o parlamentar que acaba de se candidatar à presidência da Câmara, também é alvo de ameaças constantes.  Para marcar a data será realizado um ato, às 18h, no Buraco do Lume, no Centro do Rio intitulado 300 dias sem Marielle e Anderson.

POLÍCIA – No final de dezembro, o então diretor-geral da Polícia Federal (PF), Rogério Galloro, confirmou que uma equipe do órgão apura a suspeita de que uma organização criminosa estaria atuando para impedir que a Polícia Civil do Rio de Janeiro esclarecesse o duplo assassinato. Os agentes receberam parte do material que os investigadores fluminenses reuniram ao tentar identificar os mandantes e os executores do crime.

Segundo Galloro, a Polícia Civil entregou, na primeira quinzena de dezembro, o material que a Polícia Federal solicitado no fim de novembro. “Isso demorou um pouco. Tive que montar uma equipe às pressas, pegando policiais federais de alguns estados. Uma equipe fica aqui em Brasília, ajudando na análise de dados, e outra no Rio de Janeiro”, disse o diretor-geral ao explicar a divisão da equipe.

Foto: Reprodução/Facebook

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Galloro disse que, mesmo se dedicando exclusivamente ao caso, os agentes federais levarão algum tempo para analisar as informações reunidas pela Polícia Civil ao longo dos últimos nove meses. “São provas, indícios e depoimentos que a Polícia Civil coletou. É um volume (de informação) muito grande que temos que analisar para ver se se encaixa no objeto da nossa investigação, que não é o homicídio”, acrescentou Galloro, reforçando que a PF só apura a possível obstrução às investigações.

A PF instaurou o inquérito para apurar supostos entraves à elucidação do crime no começo de novembro, a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge – que, na mesma ocasião, pediu também que a PF dê proteção às famílias de testemunhas.

“Há um processo de investigação do que eu já chamei de um complô, uma aliança satânica entre corrupção e crime organizado. A PF está trabalhando para apurar a suspeita de obstrução às investigações da Polícia Civil] e, a nosso ver, trabalhando muito bem, mas há apenas um mês. Confio na PF e estou certo de que ela vai fazer o trabalho que é preciso fazer no Rio de Janeiro”, disse o ex-ministro Raul Jungmann, em dezembro. Ele disse que, nas duas vezes, a oferta de federalização foi recusada. “Por isso, a Polícia Federal não tem nenhuma participação na tentativa de elucidação do caso. Porque não nos deixaram entrar neste processo”.

CAÇA ÀS BRUXAS – “Marielle Franco se tornou um campo de batalha no imaginário da família Bolsonaro e seus seguidores”, afirmaram a escritora Antonia Pelllegrino e a ativista Manoela Miklos em artigo para a Folha de São Paulo desta segunda. Elas se referem à degola nos cargos em comissão que utiliza o critério de demitir os adeptos da hashtag #mariellepresente. Apesar disso ser motivo de perda de cargo no atual governo, por outro lado, a PF, agora chefiada pelo curitibano Maurício Leite Valeixo manteve, ao menos por enquanto, a equipe que está no caso. No ano passado, Sérgio Moro prometeu que quando assumisse o Ministério da Justiça se empenharia na solução do assassinato.  Quem viver verá.

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