OPINIÃO

A política que alimenta a violência

Publicado em 16 de outubro de 2018

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Esta edição do Extra Classe está sendo finalizada a três dias do pleito do primeiro turno das eleições gerais no Brasil. O clima é de acirramento político, de proliferação de notícias falsas e de real ameaça da ascensão do ideário fascista e autoritário, como há muito tempo não se via no país. Obviamente esta edição chega aos olhos dos nossos leitores sem saber o resultado das urnas, o que não impede que as reportagens e temas abordados tentem jogar alguma luz sobre as questões nacionais e regionais, para que leitores, formadores e multiplicadores de opinião tenham subsídios para a análise da realidade do nosso tempo e dados que permitam entender como chegamos até aqui.

Abrimos a edição com uma ferida aberta em março deste ano e que não cicatriza: as execuções de Marielle e Anderson, motivadas, sem sombra de dúvida, por contrariedade à atividade política da vereadora carioca a favor das comunidades em detrimento de interesses das milícias e de suas ramificações na política. Nesse contexto de intervenção militar no Rio de Janeiro, ocorreu esse crime. Um cenário de guerra, um teatro governamental para aproveitar eleitoralmente e politicamente os medos da população. A nossa entrevista do mês analisa esse tema, ouvindo Bruno Paes Manso e Camila Dias, especialistas na expansão do PCC para além de São Paulo, seus negócios em todos os estados da federação e sua participação na guerra contra o Comando Vermelho, no Rio. O diagnóstico é preciso: o que candidatos e políticos apresentam como solução para o problema da violência na guerra contra as drogas é justamente o que alimenta ainda mais essa violência.

Nossa matéria capa – aliás, ilustrada por Edgar Vasques – traz uma reportagem sobre a herança maldita das políticas do governo Temer, que não só desmontaram o cabedal de direitos da maior parcela da população brasileira, como deixa um rastro de incompetência, de  crise econômica, além da proliferação de doenças, entre outras mazelas que afligem os brasileiros.

Não bastasse a realidade cruel das ruas, numa outra guerra, a guerra eleitoral, a proliferação de informações falsas, as famosas fake news, toma conta dos grupos de whatsapp e infestam o imaginário dos eleitores, contaminando totalmente do processo eleitoral, analisa nosso colunista Marco Weissheimer. A mentira sistematizada para promover ideias antidemocráticas tem dado o tom de um debate que não existe, pois a argumentação política foi substituída por argumentos em copy/paste repetidos e espalhados como mantras sem qualquer filtro ou reflexão mais profunda.

No meio disso, e num contexto da sanha privatista dos governos federal e estadual, que empresas de energia estão na mira, nossa reportagem recupera o maior caso de corrupção do estado, ocorrido durante o governo Simon (MDB), no final da década de 1980. O caso foi alvo de CPI e atualmente a Justiça, literalmente, sentou em cima do caso, e embora não prescreva não dá andamento.

Esses são alguns dos assuntos abordados nesta edição. Temos ainda as colunas de Marcos Rolim, Fraga, Verissimo e as tiras de Rafael Corrêa e Edgar Vasques.

 

Boa leitura!

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