OPINIÃO

O holocausto vitimou judeus e esquerda

Para o rabino Michel Schlesingher, da Congregação Israelita Paulista, “o nazismo foi uma ação da extrema direita europeia”
Publicado em 9 de abril de 2019

Foto: Reprodução

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No início de abril, o rabino Michel Schlesingher, da Congregação Israelita Paulista e representante da Confederação Israelita do Brasil para o diálogo inter-religioso estabeleceu um contraponto às falas do presidente Jair  Bolsonaro, de sua família e de membros do governo que atribuem o nazismo à esquerda. Ele é categórico: “o nazismo foi uma ação da extrema direita europeia”. Sem poupar críticas ao autoritarismo de esquerda, o rabino diz: “associar holocausto à esquerda é falsificar a história”. Ele reafirma que o nazi-fascismo e os movimentos de extrema direita europeia é que resultaram no holocausto, que vitimou 6 milhões de judeus.

As falas do presidente também causaram desconforto em Israel, durante sua visita, e na Alemanha.  Partidos tradicionais da história da Alemanha pós-Hitler criticaram fortemente o presidente brasileiro por seus comentários sobre a origem do nazismo que são as mesmas do chanceler brasileiro, Ernesto Araújo. A deputada do Partido Social-Democrata (SPD), Yasmin Fahimi, declarou ao blog do jornalista Jamil Chade que nazistas também usaram o termo “social” como uma máscara para seu real programa político. O fato de Jair Bolsonaro estar usando a mesma estratégia de mentiras é uma ridicularização inaceitável das vítimas que foram mortas pelos nazistas”, disse Fahimi.  Para ela, nazistas foram demagogos fascistas de extrema-direita. Durante esse período, a Alemanha foi uma ditadura fascista, desumana e de uma ideologia racista. “A declaração de Bolsonaro deprecia a memória de todas as vítimas assassinadas pela violência dos nazistas”, alertou.  “O movimento de esquerda, pelo contrário, lutou pela liberdade e pela igualdade de todos. Isso é o oposto do fascismo”, completou.

Já Heinz Bierbaum, chefe do Comitê Internacional do partido Die Linke, também não poupou críticas: “Bolsonaro pode ser chamado de fascista”, disse. “Desprezando a democracia, as conquistas do Estado de Direito, ele ataca a esquerda, LGBT, povos indígenas, afro-brasileiros, minorias e ativistas”, declarou. “A esquerda de todo o mundo se levanta contra Bolsonaro e todo seu ódio”, disse. “A história da Alemanha e o surgimento do partido nazista nos ensinam a resistir a ameaças do racismo e intolerância em sua origem”, atacou o deputado. Segundo ele, a declaração de Bolsonaro sobre a origem do nazismo é “uma completa distorção dos fatos históricos”. “Sem qualquer dúvida, o nazismo é um movimento fascista. Eles não foram responsáveis apenas pela morte de 6 milhões de judeus, mas também de 20 mil membros de partidos de esquerda”, declarou.

“Mais de 3 milhões de prisioneiros soviéticos morreram nas prisões na Alemanha durante a guerra”, insistiu, lembrando que a ofensiva nazista no mundo e sua ideologia anticomunista deixou como resultado 65 milhões de mortos. “A esquerda foi parte da resistência antifascista em toda a Europa e lutou contra esses regimes desumanos”, completou. 

Boa leitura!

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