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No Rio Grande do Sul, duas produções recentes exemplificam esse crescimento da indústria do audiovisual. Uma delas é a série/filme Coligay (foto, dirigida por Paulo Machline; a outra é o longa Aba Larga, de Emiliano Ruschel (foto na sequência)
Foto: Divulgação
Um estudo da Oxford Economics divulgado em outubro deste ano aponta que a indústria audiovisual movimentou R$ 70,2 bilhões no PIB do Brasil em 2024, sustentou 608.970 empregos diretos, indiretos e induzidos, e teve efeito multiplicador expressivo sobre outros segmentos da economia.
Setores como indústria automobilística, têxtil e farmacêutico ficam atrás do audiovisual, que representa 0,7% do PIB nacional. Cada R$ 10 milhões gerados no audiovisual produziram outros R$ 12 milhões em cadeias correlatas. Duas produções gaúchas movimentaram a economia.

As filmagens de Aba Larga passaram por Santa Maria, Itaara, Silveira Martins, além de locações rurais nos distritos de Arroio Grande, Santa Flora e Boca do Monte e Porto Alegre
Foto: Breno Fixman/Divulgação
Aba Larga – uma espécie de faroeste gaudério – foi filmado em várias regiões do estado, incluindo Santa Maria, Itaara, Silveira Martins, além de locações rurais nos distritos de Arroio Grande, Santa Flora e Boca do Monte, e também em Porto Alegre. Produção contemplada pela Lei Paulo Gustavo, envolveu mais de 240 figurantes, dezenas de cavalos e contou com apoio da Brigada Militar para uniformes e protocolos.
Coligay também já iniciou suas filmagens na capital gaúcha. É uma produção do Canal Brasil, da Casa de Cinema de Porto Alegre, Ventre Studio e +Galeria, e contará com série de quatro episódios, que será exibida pelo Canal Brasil, além de versão para longa-metragem prevista para 2026. O ator Irandhir Santos interpretará um dos protagonistas: a criação da primeira torcida organizada LGBTQIA+ do Brasil, fundada por torcedores do Grêmio na década de 1970, em plena ditadura militar.
Outros dados do estudo Oxford Economics que reforçam a importância do setor: remuneração média mensal de R$ 6.800, cerca de 84% superior à média nacional; contribuição fiscal estimada em R$ 9,9 bilhões; fator multiplicador de empregos de 5,0, ou seja, cada trabalhador direto gera quatro empregos adicionais em atividades indiretas ou induzidas; média de PIB gerada por trabalhador do audiovisual cerca de R$ 259 mil – 3,5 vezes a média formal da economia.
Fonte: MPA/Oxford EconomicsA Federação do Comércio e Indústria do Audiovisual (Fica) surge após o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) incluir o audiovisual no projeto da Nova Indústria Brasil. A proposta da entidade é “reafirmar o audiovisual brasileiro como uma indústria, em reconhecimento aos expressivos resultados na economia do país, como vetor de inovação e geração de empregos qualificados”.
“A Fica vai reunir todos os segmentos do audiovisual. A gente precisa ter uma representação forte e única. A gente não tira o mérito das outras entidades, dos sindicatos, que têm as suas especificidades, mas quando tem que trabalhar com os meus colegas nas relações governamentais, fica muito difícil para eles entenderem cada vez que aparece uma representação. Então, resolvemos criar essa federação, e fomos muito estimulados para isso pelo governo brasileiro e por outras áreas industriais. É necessário a gente ter uma representação muito forte que possa ser um articulador para defesa das nossas políticas”, explicou Walkíria Barbosa.
Modelos internacionais bem-sucedidos, como o da Coreia do Sul, serviram de inspiração na busca da consolidação de uma política de Estado para o setor audiovisual brasileiro. Em uma comparação com o país asiático, que em 2023 exportou mais de US$ 14 bilhões de conteúdo audiovisual e musical, resultado obtido a partir da adoção de uma política de Estado, em que o audiovisual é considerado como uma indústria estratégica, Walkíria Barbosa destacou que esse é o mesmo patamar do Brasil, um país com território maior.
Para a produtora, os exemplos mostram o quanto o setor nacional pode crescer quando tiver essa política de estado.
“Esse número é o equivalente ao que fatura o audiovisual no Brasil. Se eles (sul coreanos) conseguiram fazer isso, nós temos muitas possibilidades de conseguir fazer isso e mais, porque temos um território grande. A China, em 2008, tinha 3.500 salas de cinema, quando já tinha uma população com mais de 1 bilhão, e hoje tem 90 mil, com filmes como a animação que fez mais de US$ 100 milhões dentro do território chinês”, comentou, lembrando que no ano passado foi aprovado no RioMarket um documento de política de Estado para o audiovisual brasileiro, inspirado no modelo de sucesso sul coreano que, para ela, tem um projeto de exportação inacreditável.
“Temos um ano para botar essa política pública de pé”, resumiu
Após os dados do estudo, Walkíria e integrantes do setor tiveram diversos encontros com representantes de organismos governamentais como os ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), da Cultura (MinC) e Ancine para, conforme explicou, mostrar o potencial que essa indústria tem.
Entre essas agendas, a presidente da Fica apontou o encontro com o secretário-executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa, que de acordo com ela, entendeu perfeitamente o potencial do setor, o que permitiu a entrada do setor no programa da Nova Indústria Brasil.
“É importante dizer que tudo isso aconteceu porque um homem visionário, chamado Márcio Elias Rosa, entendeu o que a gente estava falando, entendeu a nossa proposta e fez acontecer dentro do programa da NIB. A gente está muito feliz e aí surge a ideia de criar a Federação do Comércio e Indústria do Audiovisual”, disse a presidente da Fica.
“Nada se constrói sozinha. Esse trabalho vem sendo feito em muitas mãos de pessoas que entenderam a nossa demanda e viram a importância estratégica que é o audiovisual para o país. O audiovisual é o grande soft power”, afirmou Walkíria.
* Com informações da EBC e Oxford Economics
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