Educação
Paraguai investiga rede de diplomação falsa no ensino superior
Há suspeitas de participação de servidores do próprio MEC paraguaio no esquema. Caso tem semelhanças…
Um seminário estadual, 27 audiências públicas e 12 reuniões com entidades da sociedade civil, já promovidas pelo governo do Estado para debater a implantação da Uergs, não foram suficientes para reverter a decisão da ala oposicionista na Assembléia de retomar do zero a discussão sobre o mérito do projeto de lei. A Comissão Permanente de Educação e Cultura, presidida pelo deputado Onyx Lorenzoni (PFL) foi indicada, em consenso, como a instância mais apropriada para conduzir a tramitação da proposta no Legislativo.
Na última semana de março, deputados que integram o grupo foram conhecer de perto a realidade das Universidades Estaduais de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A Comissão também tem realizado audiências públicas no interior do Estado para debater o tema junto às comunidades regionais. A partir de abril, reunirá reitores, a cada terça-feira, para colher experiências de gestão universitária. Já a Mesa Diretora da Assembléia pretende levar o debate sobre a Uergs para as plenárias do Fórum Democrático.
Para Onyx Lorenzoni, o governo não pode querer que a Assembléia aprove em 30 dias uma proposta que vem com “dois anos de atraso”. Já o vice-presidente da Comissão, deputado Edson Portilho (PT) estima que o projeto terá condições de ser levado a plenário já em fim de abril. De acordo com o parlamentar, a população gaúcha já sabe diferenciar um discurso “que constrói” de um outro “que complica”. Para Portilho, é incoerente que os mesmos deputados que cobravam o envio do projeto da Uergs, pelo governo, agora sustentem que a proposta não tem peso para sair do papel.

Onyx insiste que a proposta, como foi colocada, só serve para transferir mais uma incumbência a um governo que sequer cumpre o que prevê a lei. O deputado acusa o Estado de condenar a rede pública a trabalhar em meio à falta de professores e de transporte escolar, e dentro de prédios que “caem aos pedaços”. Ele argumenta, ainda, que a Uergs projetada pelo governo se resume a um esforço “desnecessário” em competir com a rede privada de ensino superior, já consolidada e considerada “modelo” pelo resto do País.
O pefelista defende a conversão dos R$ 16 mihões reservados à Uergs em bolsas de crédito educativo. Portilho rebate, lembrando que a proposta deveria ter sido levada a plenário durante a construção da peça orçamentária, da qual Onyx foi relator.
Para aprofundar o debate, um substitutivo ao projeto de lei, inscrito em 1º de março pelo deputado Giovani Cherini (PDT) questiona as principais cláusulas da proposta governista. O texto altera a forma jurídica da futura Uergs de fundação para “cooperativa semi-pública” e estabelece o chamado Fundo Rotativo de Bolsas, pelo qual o aluno é obrigado a pagar com serviços prestados à comunidade até 50% do valor investido pela universidade no custeio do curso. Outro artigo polêmico é o que reserva metade das cadeiras da universidade para estudantes trabalhadores e destina 30% das vagas para bolsistas do ensino médio.