Professores e técnicos da Uergs reivindicam abertura de mesa de negociação com governo

Representantes do governo receberam comitiva; manifestação convocada pela Frente Unificada em Defesa da Uergs aconteceu na tarde desta quarta, 3 de junho, em frente à Fazenda estadual

Viviane Camozzato (Sinpro/RS), Fabrício Soares (Aduergs), Ana bulsin (Assuergs), Gabriela Castro (Semapi) e Júlia Ferreira (Uergs precisa de nós); ao centro, os representantes do governo

Foto: Igor Sperotto

Na tarde desta quarta-feira, 3 de junho, uma comitiva de professores e técnicos-administrativos da Universidade do Estado do Rio Grande do Sul (Uergs) reivindicou a abertura de uma mesa de negociação com o governo Eduardo Leite (PSD), durante manifestação em frente à Secretaria da Fazenda, em Porto Alegre. Uma carta foi entregue à subsecretária do Tesouro Juliana Debaquer, acompanhada dos chefes de gabinete Giovanne Sousa e Paulo Sacco, com demandas que incluem a realização de concursos e nomeações, recomposição salarial das categorias, e ampliação do orçamento da universidade.

Os representantes da Fazenda estadual se comprometeram a dar andamento aos processos de contratação de professores que já se encontram no órgão, o que representa um total de sete vagas para docentes. Comprometeram-se ainda a levar o tema da recomposição do quadro de técnicos-administrativos da Uergs para as próximas reuniões do governo. E quanto à recomposição orçamentária, apresentaram a possibilidade de reavaliar uma suplementação orçamentária de aproximadamente R$ 400 mil.

A carta foi entregue durante ato na Fazenda estadual, convocado pela Frente Unificada em Defesa da Uergs, composta pelo Sindicato dos Professores da Rede Privada do RS (Sinpro/RS), a Associação dos Docentes (Aduergs) e dos Servidores Técnicos e Apoio Administrativo (Assuergs), o Sindicato dos Empregados em Assessoramento, Perícias Informações, Pesquisas e Fundações do RS (Semapi) e estudantes do movimento Uergs precisa de nós.

Negociações

Os professores e técnicos argumentaram ao governo que vêm sofrendo com a perda do poder aquisitivo dos salários e demandaram recomposição salarial que considere a inflação dos últimos meses, além de aumento real. Requisitaram também autorização imediata para a realização de concurso público, nomeação de candidatos aprovados nas últimas seleções públicas e maior investimento no orçamento da universidade. A carta elenca as pautas elaboradas para o Acordo Coletivo de Trabalho 2026-2027 das categorias.

“A Uergs tem o menor orçamento e quadro de profissionais das universidades estaduais nos estados da região sul, e mesmo assim a gente atende 22 cidades no interior”, refletiu a docente da instituição, Viviane Camozzato, conselheira fiscal do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS).

A mobilização pelas negociações com o governo estadual deve se intensificar no mês de junho, mês da data-base dos docentes da universidade. Em março, os professores aprovaram em Assembleia a pauta de reivindicações para o Acordo Coletivo de Trabalho 2026-2027.

“Começamos as negociações com vários itens apontados em assembleias de docentes, e de técnicos que também fizeram documentos com as suas pautas. Esperamos que o governo tenha sensibilidade e encampe as nossas urgências com muita responsabilidade, sabendo que o governo do estado é o mantenedor dessa instituição”, defendeu Viviane.

Quadro reduzido

A Uergs, que atende 23 campi em sete unidades regionais, deveria contar com 990 servidores, mas apresenta déficit de 576 servidores. A projeção é de apenas 414 servidores ativos, destacaram representantes da Frente Unificada em Defesa da Uergs.

Enquanto a Lei Estadual 13.968/2012 prevê um mínimo de 600 professores no quadro da instituição, a realidade é de 250 professores.

“De 2015 para 2026, os últimos 10 anos, o governo do estado diminuiu o nosso orçamento em R$ 23 milhões. Um orçamento que já era insuficiente se tornou ainda menor. Estamos infelizmente completando 10 anos sem reposição de servidores técnicos e de apoio administrativo”, disse Fabrício Soares, presidente da Aduergs.

A defasagem no atual quadro de professores e técnicos da instituição vem provocando demora na conclusão de cursos e evasão estudantil, além de sobrecarga dos profissionais. O tema mobiliza também os estudantes, que criaram o movimento Uergs precisa de nós.

“Tem unidade, Bagé, que tem quatro professores. E uma está para se aposentar, vão ficar três. Imagina um curso com três professores, então são dificuldades importantes de serem sanadas”, destacou Carlos Maciel, diretor do Semapi.

Foto: Igor Sperotto

Orçamento

Na manifestação, professores, técnicos e estudantes denunciaram o sucateamento da instituição, exigiram um plano plurianual de investimentos que assegure a continuidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão e a abertura de negociação coletiva “séria e isonômica”, reivindicações que constam na carta ao governo estadual.

A Uergs opera com teto orçamentário de R$ 141,5 milhões, elaborado pelo governo do Rio Grande do Sul. Uma peça orçamentária elaborada pela universidade apontou, no entanto, a importância de cerca de R$ 191 milhões para seu funcionamento em 2026.

A comunidade acadêmica também defende a autonomia universitária para repor vagas abertas em decorrência de exonerações, aposentadorias ou falecimentos, assegurando a continuidade e a qualidade das atividades acadêmicas.

A manifestação desta quarta, 3, foi convocada pela Frente Unificada em Defesa da Uergs, que, a partir de mobilizações e reuniões com autoridades, pretende chamar a atenção da sociedade para os problemas que a universidade vem enfrentando para se manter em funcionamento. A Uergs atende a 4.737 alunos em cursos de graduação e pós-graduação.

25 anos de Uergs

A Uergs completa 25 anos em 10 de julho de 2026. A instituição é resultado de mobilização da população e de diversas entidades do estado, como o Sinpro/RS, relembra o diretor do Sinpro/RS e presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS), Amarildo Cenci.

“Na década de 1990, o Sinpro/RS defendeu que o Rio Grande do Sul tivesse uma universidade estadual e fizemos toda uma luta para que ela existisse. Têm muitos professores de luta daquele tempo que felizmente estão aqui militando para que aquilo que nós lutamos seja materializado em estrutura, professores, técnicos e capacitação dessa ferramenta importante para o estado”, definiu.

Estudantes

Presentes na manifestação, os estudantes compreendem que é necessária unidade com professores e técnicos-administrativos para pressionar o governo do estado. No ato, relataram a defasagem do quadro docente é motivo para que os estudantes levem até dez anos para se formar.

“Cada unidade tem a sua especificidade, mas de modo geral sentimos muito a falta de professores. Muitas cadeiras não conseguem ser abertas justamente porque os professores que passaram nos concursos não foram chamados. Sem técnicos suficientes, muitos processos administrativos na universidade acabam atrasando porque não tem pessoal”, contou Andressa Jochem, estudante de engenharia de bioprocessos e biotecnologia.

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