Professores da Uergs rejeitam oferta do governo e farão contraproposta para benefícios

Em Assembleia, realizada na terça-feira, 14 de julho, docentes rejeitaram de forma unânime proposta do governo e negociação do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027 deve seguir

Foto: Igor Sperotto

Por unanimidade, os professores da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs) rejeitaram, em Assembleia, a proposta de reajuste de 4,42% para as cláusulas sociais apresentada pelo governo Eduardo Leite (PSD) e decidiram por apresentar contraproposta. A Assembleia que avaliou o andamento das negociações do Acordo Coletivo de Trabalho 2026/2027 da categoria ocorreu na tarde desta terça-feira, 14, no Plenarinho da Assembleia Legislativa do estado (ALRS).

O índice de 4,42% de reajuste salarial foi aceito pela categoria, dado que no período de defeso eleitoral não é permitida a concessão de aumento real. A Assembleia foi convocada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Privado do estado (Sinpro/RS) e pela Associação dos Docentes (Aduergs).

Contraproposta

Os docentes vão pedir a extinção da contrapartida para o vale-alimentação, que hoje desconta 2% dos vencimentos dos professores, a ampliação do auxílio para pagamento do plano de saúde, e o ressarcimento de valores gastos com pedágios, tendo em vista que muitos professores precisam se deslocar dentro do estado para lecionar em campi diversos de sua lotação.

Também seguirão reivindicando autorização para a contratação de docentes do concurso realizado em 2024, cujos resultados foram homologados até o dia 03/07/2026, bem como suplementação orçamentária para recomposição do orçamento da Universidade que, no período de 2019 a 2026, foi reduzido em mais de R$ 10 milhões.

“Queremos a reposição dos cargos vagos tanto no plano de carreira docente quanto de técnicos-administrativos. Então o cumprimento do nosso plano de cargos e salários em relação à reposição, autorização para contratação dos docentes cujos concursos terminaram e autorização para novo concurso, para que possamos atender plenamente as turmas que a Uergs possui, além da proposta de criação de um grupo de trabalho para discutir a previdência complementar e a infraestrutura das unidades”, elencou o presidente da Aduergs, Fabrício Soares, após a Assembleia.

Diversas demandas dos professores da Uergs, especialmente no que diz respeito às cláusulas sociais, não foram consideradas pelo governo, queixaram-se os professores, o que os levou a definir pela continuidade das negociações e mobilização.

Manifestação, carta ao governo e homenagem a Uergs

Em carta entregue ao representante da Casa Civil, André Palácio, antes da Assembleia de docentes, durante manifestação de professores, técnicos e estudantes em frente ao Palácio Piratini, exigiram a aplicação de 0,5% da receita corrente líquida do RS na universidade, conforme previsto no parágrafo 3º do Artigo 201 da Constituição Estadual, nesta terça, 14. A carta foi atualizada após o governo atender algumas demandas da Frente Unificada em Defesa da Uergs.

No documento, argumentam que a ampliação do orçamento da Uergs permitirá corrigir e atender as políticas de permanência estudantil, através de auxílio para transporte, moradia e alimentação para os estudantes hipossuficientes economicamente, garantindo um valor de R$ 800,00 mensais de auxílio. A comitiva que entregou a carta ao governo é composta pelo Sinpro/RS, Semapi, Aduergs, Assuergs e alunas recém empossadas para a gestão do DCE da Uergs, que estava desativado.

Viviane Camozzato, dirigente do Sinpro/RS e docente da Uergs

Foto: Igor Sperotto

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS) e diretor do Sinpro/RS, Amarildo Cenci, lembrou que a luta da comunidade acadêmica é fundamental para o fortalecimento da Uergs frente ao sucateamento do ensino superior público no estado e orientou que as articulações devem continuar junto a deputados estaduais e Executivo, mas também junto a prefeitos e vereadores dos municípios onde há campi da instituição.

Amarildo Cenci, presidente da CUT-RS e diretor do Sinpro/RS

Foto: Igor Sperotto

A dirigente do Sinpro/RS e docente da instituição, Viviane Camozzato, comentou a homenagem prestada pela ALRS aos 25 anos da Uergs, no início da tarde do dia 14, e rememorou que a instituição é pioneira no processo de interiorização do ensino superior público, instalada estrategicamente para ampliar o acesso ao ensino superior à população dos municípios gaúchos.

“A Uergs foi criada a partir de uma luta também para incluir estudantes hipossuficientes, a primeira instituição no estado com esse debate. Então é algo que nos emociona, nos deixa felizes, e que nos mostra o compromisso histórico com causas tão importantes”.

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