Ambiente
Chuvas no RS causam transtornos em 25 municípios gaúchos
Eventos climáticos intensificam necessidade de preparação a nível estadual; Defesa Civil aponta para oito pessoas…

Foto: Alex Rocha/PMPA
A prefeitura e a Defesa Civil de Porto Alegre alertam para dias de instabilidade entre sexta-feira, 17, e terça-feira, 21 de julho. O alerta de tempo severo para a capital combina ventos fortes de até 90 km/h, descargas elétricas e acumulados de chuva que podem ultrapassar 150 mm para o período. Nesta sexta, o tempo deve seguir abafado com vento forte e pouca probabilidade de chuva.
O nível do Guaíba em Porto Alegre até às 14h15min desta sexta-feira, é de 0,36 metros; e se encontra abaixo da cota de inundação de três metros na estação Usina do Gasômetro, com status normal.
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul atualizou a previsão hidrometeorológica para os próximos dias adicionando risco de queda de granizo e possibilidade de tornados e microexplosões nas regiões da Campanha, Oeste e Sul.
Sábado, 18, e domingo, 19, devem ser os dias mais críticos. O episódio que atinge o Rio Grande do Sul já é classificado como resultado do fenômeno El Niño, que se formou no Oceano Pacífico Equatorial.
Este ano, as águas do Oceano Pacífico Equatorial atingiram um nível de aquecimento compatível com Super El Niño meses antes do esperado, ainda no mês de julho. Em eventos anteriores, foi registrado entre os meses de setembro e novembro.
Aos gaúchos, ainda traumatizados pelo evento hidrológico extremo de maio de 2024, os cientistas recomendam cautela. Episódios de Super El Niño ocorreram nos anos 1982-1983, 1997-1998, 2015-2016 e em 2023/2024, mas não significam necessariamente inundação, reforça o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Masato Kobiyama, do Instituto de Pesquisas Hídricas.
“A população está apavorada devido a cobertura da imprensa. Super El Niño realmente está vindo, mas não necessariamente vai chover no RS, pode ser Santa Catarina, Paraná. Entendo o trauma, e acho que é nesse momento que se deve focar na preparação. Se você estiver preparado, não precisa ter medo”, pensa Masato. Ele aponta que os governos estadual e municipal devem estruturar ações de educação para preparar a população para eventos extremos.
Ele diz que os governos estadual e municipal devem trabalhar adequadamente as medidas não estruturais e cuidar a mentalidade da população. “A região metropolitana de Porto Alegre deveria fazer treinamento de evacuação, nas salas de aula ensinar mais sobre climatologia, geografia. Assim, talvez, a população possa reconhecer mais a realidade e sobre o fenômeno El Niño”.
O professor destaca a importância das ações de resiliência climática e rejeita a ideia de preparação para evento climático que foque apenas em chuva e inundação.
“Vemos o aumento de ações e especialistas focados em inundação. Mas e a preparação para granizo, vendaval, tornados? A depender da violência da dinâmica atmosférica, se ocorrer outro fenômeno, ficamos desesperados?”, questiona Masato. Relembra ainda que o fenômeno deste ano pode ser ainda mais preocupante no centro e norte do país, dado que ocasiona aumento das secas e possibilidade de incêndios florestais nas regiões.
Com o prognóstico do El Niño, a correção da falha causada pela implantação de trilhos da malha ferroviária, que fragilizou o sistema de proteção contra cheias da capital, de acordo com a prefeitura, teve previsão de início antecipada para o primeiro semestre.
Obras imediatas de proteção na área entre os bairros Sarandi e Anchieta (pôlderes 7 e 8), na zona norte, foram iniciadas em 26 de junho e só devem ser encerradas no mês de agosto.
A obra de proteção da Usina do Gasômetro, que foca no reforço da segurança do sistema de proteção, deve ter início até agosto deste ano.
A estrutura de suprimentos destinados à construção de barreiras móveis de proteção, além de argila, rachão, eletrocentros, bombas e equipamentos eletromecânicos, estará disponível para as equipes responsáveis pela operação do sistema de proteção contra cheias até agosto de 2026.
Outras obras e as previsões de início e conclusão podem ser acompanhadas aqui.
O Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) ressaltou que, conforme os prognósticos da Defesa Civil Municipal da capital, publicados no portal da prefeitura, não há qualquer prognóstico ou indicativo de cheia dos rios que circundam a capital em decorrência do alerta meteorológico vigente para os próximos dias.
De acordo com a prefeitura, foram concluídas obras no Muro da Mauá, Dique da Fiergs, do Sarandi (trechos 1 e 2), a extinção das comportas 3, 5, 7, 8, 9, 10, 13 e 14, reforma das comportas 1, 2, 4 e 6; substituição das comportas 11 e 12, substituição e reforço das tampas dos condutos forçados Álvaro Chaves, Polônia, Carneiro da Fontoura, Assis Brasil e Miguel Couto, a proteção das câmaras de descarga das Ebaps 1, 2, 3, 4, 6, 13, 17 e 18, e de instalação de geradores, quadros de transmissão automática e sensores nas Ebaps da capital, após o evento hidrológico de maio de 2024.
Na noite de quinta, 16, a prefeitura de Porto Alegre apresentou aos moradores da região Humaitá/Navegantes, o andamento das obras de reconstrução do sistema de proteção contra cheias e drenagem urbana.
O diretor de Proteção Contra Cheias e Drenagem Urbana do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), Alex Zanoteli, apresentou um panorama das intervenções realizadas para recuperar e fortalecer o sistema de proteção da cidade e as iniciativas de drenagem urbana na região.
Zanoteli destacou a reconstrução das casas de bombas, a recuperação e modernização das comportas, manutenção de drenagem em diferentes pontos da região e o fechamento definitivo da comporta 14, medida considerada estratégica para evitar a repetição de um dos principais pontos de entrada da água registrados durante a enchente de maio de 2024.
O meteorologista da Catavento Meteorologia e Meio Ambiente, Felipe Farias, apresentou o prognóstico meteorológico e frisou que o volume de chuva previsto deve ser insuficiente para provocar alagamentos generalizados na região do Humaitá/Navegantes. Paralelamente, a Defesa Civil e o Dmae devem manter monitoramento permanente das condições meteorológicas e da operação do sistema de proteção contra cheias durante todo o período de instabilidade.
O diretor-presidente da CEEE Equatorial, Riberto José Barbanera garantiu, durante balanço de operações no Palácio Piratini, na quinta, 16, que a empresa está preparada para enfrentar o evento climático, com mais de 500 equipes preparadas para atender a área de concessão que engloba 72 municípios gaúchos.