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TRT4 media audiência entre Ulbra e sindicatos sobre pendências trabalhistas
A desembargadora Ana Luiza Heineck Kruse solicitou a retomada das negociações entre a Ulbra e…

Foto: Matheus Piccini/CUT-RS
Em manifestação em frente à sede da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), trabalhadores de diversas categorias, dirigentes sindicais e de federações exigiram o fim da escala 6×1, com a redução da jornada semanal de trabalho para 40 horas, sem redução de salários e denunciaram a pressão exercida pelos setores empresariais para travar a pauta no Senado Federal. A manifestação ocorreu no início da manhã desta quinta-feira, 16 de julho, em Porto Alegre.
A PEC que prevê o fim da escala 6×1 foi aprovada na Câmara dos Deputados em 27 de maio e desde então aguarda ser despachada para alguma comissão do Senado, o que o presidente da Casa Davi Alcolumbre (União-AP) não fez. O recesso no Senado começa em 18 de julho e já se pode dizer que a discussão sobre o tema ficará para o segundo semestre.
A principal crítica foi centrada no lobby do empresariado brasileiro contra a PEC e a ampliação de direitos trabalhistas.
“Grande parte da patronal segue com uma postura atrasada, escravocrata, desumana e indigna quando não querem a redução da jornada para 40 horas e o fim da escala 6×1. Estão fazendo lobby em Brasília, espalhando mentiras e fake news para dizer que o país vai quebrar, exatamente como fizeram quando combateram o fim da escravidão, o 13º salário, as férias, o descanso semanal e as licenças maternidade e paternidade”, denunciou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS), Amarildo Cenci, durante o ato.
Ele ressaltou que a resistência patronal repete argumentos históricos para impedir a ampliação de direitos para os trabalhadores, como para a implementação do 13º salário no país ou direito a férias.
Em 9 de junho, entidades empresariais lançaram um manifesto para apoiar a PEC 12/2026, alternativa proposta pela oposição ao governo Lula ao fim da escala 6×1, que havia sido aprovada na Câmara dos Deputados semanas antes. O manifesto foi apoiado por mais de três mil entidades patronais, como a Confederação Nacional do Comércio (CNC), da Indústria (CNI) e da Agricultura e Pecuária (CNA).
Os empresários pediam aos senadores no manifesto intitulado Uma carta para o Brasil que acorda cedo que aprovassem a PEC que cria o regime baseado em horas trabalhadas e em acordos individuais entre trabalhador e patrão, mantendo a possibilidade de jornadas de até 44 horas por semana. A proposta da oposição ao governo foi apelidada nas redes sociais de “PEC da escala 7×0” por ir na contramão da proposição aprovada na Câmara.
Na época, o presidente da CUT-RS e outros dirigentes sindicais manifestaram indignação com a carta patronal. Para eles, o desrespeito começava pelo título.
“Um desrespeito de um setor empresarial que se beneficia, que lucra, vive de quem acorda cedo, que são as trabalhadoras e os trabalhadores, e não têm tempo pra viver, pra fazer o que precisa fazer, e que dão a sua vida para o trabalho – e o trabalho tem que ser para a vida, e não o contrário”.
De acordo com a pesquisa Nexus, pelo menos 73% da população brasileira aprova a redução da jornada de trabalho sem redução de salários.