Economia
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Presidente da Fiesp, Paulo Skaf e empresários durante coletiva a imprensa após reunião com o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), com o objetivo de frear fim da 6×1
Foto Lula Marques/Agência Brasil
Entidades empresariais lançaram um manifesto para apoiar a PEC 12/2026, alternativa ao fim da escala 6×1 que tramita no Senado, nesta terça-feira, 9 de junho. O manifesto Uma carta para o Brasil que acorda cedo argumenta que a “rigidez” proposta pela PEC que acaba com a escala 6×1, que prevê duas folgas remuneradas por semana e redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas, sem redução de salários, “aumenta o custo dos produtos e serviços” e que “quem paga a conta é o trabalhador brasileiro”.
A ofensiva do empresariado reúne mais de três mil entidades patronais, como a Confederação Nacional do Comércio (CNC), da Indústria (CNI) e da Agricultura e Pecuária (CNA). Os empresários pedem aos senadores que aprovem a PEC que cria o regime baseado em horas trabalhadas e em acordos individuais entre trabalhador e patrão, mantendo a possibilidade de jornadas de até 44 horas por semana. A proposta da oposição ao governo foi apelidada nas redes sociais de “PEC da escala 7×0” e vai na contramão da proposição aprovada na Câmara dos Deputados no último dia 27 de maio.
O desrespeito começa pelo título do manifesto, critica Amarildo Cenci, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS). “Um desrespeito de um setor empresarial que se beneficia, que lucra, vive de quem acorda cedo, que são as trabalhadoras e os trabalhadores, e não têm tempo pra viver, pra fazer o que precisa fazer, e que dão a sua vida para o trabalho – e o trabalho tem que ser para a vida, e não o contrário”, analisa Amarildo.
O sindicalista reflete que a PEC 12/2026 propõe uma mudança na proteção social do trabalhador: o tempo de trabalho passa a ser visto como mercadoria sob demanda do empregador.
“Essa PEC 12 que quer flexibilizar todo o mundo do trabalho ofende um princípio central da própria Constituição que é o trabalho como um direito humano e espaço de desenvolvimento da pessoa humana”, defende Amarildo.
O regime flexível baseado em horas trabalhadas já é permitido via contrato intermitente no Brasil, implementado pela reforma trabalhista de 2017. Dados do Dieese indicam que a média mensal da renda de trabalhadores contratados via modalidade intermitente é de 58% do salário mínimo, e que a ampliação da modalidade para toda a economia brasileira pode levar mais brasileiros ao mapa da fome, informa Adriana Marcolino, diretora nacional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Atrasar o fim da escala 6×1 também objetiva que o trabalhador vá às urnas em outubro sem sentir a mudança na escala de trabalho. A proposição aprovada na Câmara prevê redução de duas horas na jornada de trabalho dois meses após promulgação. Caso o plano do governo Lula (PT) dê certo e a PEC que acaba com a escala 6×1 seja aprovada no Senado antes do recesso parlamentar que inicia em 18 de julho, em outubro deste ano os trabalhadores brasileiros já sentiriam o efeito da redução da jornada.
A PEC 12/2026, mira do lobby do empresariado, galgou andamento mais rápido no Senado que a PEC que extingue a 6×1. No mesmo dia em que foi protocolada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a proposição foi despachada pelo presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP) para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em 28 de maio. Já a PEC do fim da 6×1 ainda não tramitou na Casa.
O presidente da CUT-RS também avalia que o lobby do empresariado pela aprovação da PEC da oposição enfrentará a opinião pública: pelo menos 73% dos brasileiros aprovam a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, informa pesquisa Nexus, realizada este ano.
“A PEC aprovada pelo povo brasileiro foi aquela da Câmara Federal”, conclui Amarildo.
Em 26 de maio, lobistas e representantes de 30 setores do mercado nacional se reuniram com Alcolumbre, sob liderança de Paulo Skaf, presidente da Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para frear andamento da pauta no Senado.