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Quando o abuso de crianças e adolescentes vai parar nas redes
De um lado, o vazamento de vídeos de vítimas de estupros é cada vez mais…

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
As mortes violentas intencionais no Brasil tiveram uma queda de 8,2% em 2025 em relação ao ano anterior. Por outro lado, os casos de feminicídio bateram recorde no país. Os dados constam do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Esta é a 20ª edição do relatório, lançado em 2006.
Em todo o ano passado, foram registradas 40.775 mortes violentas intencionais no país, com uma taxa de 19,1 por 100 mil habitantes, a menor desde 2012. O Rio Grande do Sul registrou a segunda maior queda, com 1.266 mortes violentas intencionais em 2025 e uma baixa de 25,7% em relação ao ano anterior. O Estado também apresentou uma das menores taxas de letalidade em ações policiais: 0,7 morte por 100 mil habitantes. Foram 76 mortes no RS em 2025, o que representa uma redução de 48,5% em relação a 2024.
“A queda de 25,7% nas mortes violentas intencionais, a segunda maior do país, confirma uma trajetória consistente de redução da violência letal no Rio Grande do Sul. O resultado pode ser associado à continuidade de políticas como o RS Seguro, baseadas em integração institucional, inteligência, focalização territorial e acompanhamento de indicadores. É importante destacar também que essa redução ocorreu simultaneamente a uma queda de 48,3% nas mortes por intervenção policial, demonstrando que é possível reduzir a criminalidade com maior profissionalização e menor uso da força letal”, analise Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, doutor em Sociologia com pós-doutorado em Criminologia, professor universitário e membro do FBSP.
Se a letalidade em ações policiais teve queda no Rio Grande do Sul, o país como um todo não acompanhou a tendência. Com 6.602 mortes, foram registradas alta de 5,4% e taxa de 3,1 mortes por 100 mil habitantes, contrariando a queda geral dos homicídios. De acordo com o levantamento, pessoas negras morrem 3,5 vezes mais que brancas em ações policiais: entre os negros, a taxa é de 3,5 por 100 mil habitantes e, entre os brancos, 1 por 100 mil habitantes. Outros dados dos perfis dos mortos por policiais apontam que 97% eram homens e 46% estavam na faixa entre 20 e 29 anos de idade.
Já o número de mortes de agentes da segurança pública caiu 3,5% em 2025, totalizando 139 óbitos. O suicídio continua sendo a principal causa de morte entre os profissionais da categoria: foram registrados 110 casos entre policiais civis e militares no país, com queda de 12,7% ante os 126 casos contabilizados no ano anterior.
Especificamente sobre o RS, Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo mostra preocupação com a questão carcerária.
“O cenário é preocupante: o RS chegou a 53,4 mil pessoas privadas de liberdade, crescimento de 14,1% em apenas um ano, muito acima dos 5,6% registrados no país. O déficit alcançou 12,5 mil vagas, agravando a superlotação e a precariedade do sistema. Ao mesmo tempo, o estado ampliou em 8,5% seus gastos reais com segurança, chegando a R$ 8,57 bilhões em 2025, com crescimento dos investimentos em policiamento, informação e inteligência. Isso contribui para os bons resultados, mas é preciso direcionar mais recursos também à prevenção, à reintegração social e à melhoria das condições prisionais”, afirma.
Se por um lado as mortes violentas intencionais tiveram queda, por outro, houve alta nos casos de violência contra a mulher, com recorde de feminicídios e crescimento em crimes como perseguição e violência psicológica. Em 2025, 1.571 mulheres foram mortas por questões de gênero, o maior número da série histórica e o quarto ano consecutivo de alta. Na média, quatro mulheres foram mortas por dia. O relatório mostra aumentos também de crimes que antecedem a violência letal, como perseguição (stalking), violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas.