EDUCAÇÃO

Pandemia aumentou desigualdade no acesso à educação em Porto Alegre

Estudantes das escolas municipais e estaduais públicas dispõem de menos da metade dos recursos tecnológicos à disposição dos alunos da rede privada, revela pesquisa – o alerta é para um apagão educacional
Por Edimar Blazina / Publicado em 31 de julho de 2020
As condições de retorno às aulas presenciais deve ser deliberada com a participação de toda a comunidade, recomenda o Comitê Popular de acompanhamento da crise educacional

Foto: Igor Sperotto

As condições de retorno às aulas presenciais deve ser deliberada com a participação de toda a comunidade, recomenda o Comitê Popular de acompanhamento da crise educacional

Foto: Igor Sperotto

O Comitê Popular Estadual de Acompanhamento da Crise Educacional no Rio Grande do Sul apresentou nesta sexta-feira, 31, a primeira etapa dos resultados da pesquisa que buscou mapear as necessidades e impactos da pandemia, bem como as condições de segurança para a volta às aulas presenciais. Nesta etapa o Comitê encontrou grande desigualdade do acesso à educação por parte dos alunos e familiares e apontou que o estado caminha para um “apagão educacional”.

Os dados levantados evidenciam as diferenças nas redes de ensino. Em 22% das famílias que responderam à pesquisa, algum filho está sem aula na rede municipal, neste momento, enquanto na rede estadual este número cai para 13%. Já na rede privada, 93% afirmam que seus filhos têm aula neste momento de pandemia, evidenciando a desigualdade do acesso à educação, principalmente dos estudantes das redes públicas em Porto Alegre.

Estudantes das redes públicas têm menos acesso à tecnologia

Ameaça do desemprego não deve forçar retorno precoce às atividades presenciais, alerta dirigente do Sinpro/RS

Foto: Igor Sperotto

Ameaça do desemprego não deve forçar retorno precoce às atividades presenciais, alerta dirigente do Sinpro/RS

Foto: Igor Sperotto

A pesquisa apontou ainda que 59% dos alunos das escolas estaduais e 47% das municipais dizem ter computador, enquanto na rede privada mais de 96% dos estudantes possuem computadores.

Ao total 80% das pessoas que responderam dizem ter acesso a internet sem fio e 43,5% pelo celular, um facilitador para o acesso às atividades on-line desenvolvidas pelas escolas.

Se observado de forma segmentada, nas escolas municipais isso significa que apenas 14% dos estudantes tem banda larga, na rede estadual chega a 20% enquanto que na rede privada 49% dos estudantes afirmam ter acesso a internet rápida.

Com as salas de aulas vazias, maioria dos estudantes foi excluída do ensino: o acesso ao computador é uma realidade para 59% nas escolas estaduais, 47% na municipais e 96% nas particulares

Foto: Igor Sperotto

Com as salas de aulas vazias, maioria dos estudantes foi excluída do ensino: o acesso ao computador é uma realidade para 59% nas escolas estaduais, 47% na municipais e 96% nas particulares

Foto: Igor Sperotto

APAGÃO – A Socióloga e integrante do comitê, Aline Kerber, uma das responsáveis técnicas pela pesquisa, ressalta aspectos que já estão sendo percebidos pela pesquisa. “Já nas primeiras análises foi possível perceber que estamos em um momento de apagão educacional tanto nas redes públicas como na rede privada”, ressalta Aline.

Daniel Momoli, Doutor em Educação pela Ufrgs e um dos articuladores do Comitê, vê com preocupação o cenário desigual apontado pela pesquisa. “Estamos desenhando novas pesquisas para que possamos compreender os impactos na comunidade escolar como um todo. O resultado final da pesquisa será divulgado até o final de agosto”, revela.

REINÍCIO – De acordo com as entidades que compõem o Comitê, qualquer decisão sobre as condições de retorno às aulas presenciais deve ser deliberada com a participação de toda a comunidade escolar e acadêmica do estado, bem como com as áreas da economia, da saúde, da cultura, do lazer, da segurança, da assistência social, e respeitando a pluralidade da sociedade gaúcha. “Não podemos, sob a ameaça da falta de empregos, cobrar o retorno das atividades escolares. A manutenção da vida deve ser mais importante”, diz Margot Andras, diretora do Sinpro/RS.

Promovido em parceria com o Sinpro/RS e entidades ligadas à educação no estado, o levantamento foi realizado de 23 e 28 de julho através de um questionário on-line. Entre os mais de 6 mil acessos, foram validadas 2,2 mil respostas.

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