EDUCAÇÃO

Quem perdeu o ano letivo?

por Marcelo Frizon* / Publicado em 17 de novembro de 2020

Quem perdeu o ano letivo?

Foto: Igor Sperotto/Arquivo Extra Classe

Foto: Igor Sperotto/Arquivo Extra Classe

Há alguns meses, quando ficou evidente que a pandemia demoraria a ser superada, a imprensa começou a divulgar análises de especialistas da área de Educação sobre como o ano de 2020 estava perdido. O problema dessas análises, que vêm sendo reproduzidas inclusive por quem não é especialista da área, é que elas generalizam algo que se refere especialmente ao ensino público, que demorou muito mais tempo para organizar aulas a distância do queo ensino privado. E o sistema disponibilizado pelo ensino público não tinha como ser 100% eficaz, já que nem todos os estudantes tinham condições de acompanhar as aulas, seja por falta de equipamento adequado, seja pela falta de acesso à internet.

No ensino privado, escolas e professores adequaram-se a um novo modelo de aula a distância, e a maioria conseguiu fazer isso rapidamente. Em geral, professores têm dado aula ao vivo, através de plataformas como Google Meet e Microsoft Teams, em que compartilham suas telas exibindo fórmulas, cálculos, anotações, explicações, o próprio livro didático etc. O ensino não parou. Ele se transformou, é claro, e o aluno dedicado conseguiu aproveitar facilmente as aulas oferecidas, aprender os conteúdos ensinados e manter seus estudos.

Obviamente, não foi fácil para todo mundo. Muitos ainda têm dificuldade ou resistência em aprender seguindo o modelo à disposição. Para o aluno mais tímido, é difícil tirar uma dúvida de forma mais reservada, por exemplo. Para o professor, também é difícil perceber quem realmente está acompanhando e aprendendo o conteúdo ensinado.

Por isso, este era o momento em que as famílias deviam entrar em cena para garantir envolvimento dos alunos com as aulas. Para funcionar um modelo como o descrito, a participação dos pais é fundamental. Isso não significa que eles (os pais) precisariam estudar novamente  equações de 2º grau ou o período composto por subordinação. Bastaria que ficassem atentos à participação do estudante na aula. O resto é com o professor, com a escola.

No entanto, muitos estudantes, especialmente adolescentes, têm assistido às aulas embaixo dos lençóis. Eles compraram o discurso de que o ano letivo está perdido. O ano letivo só está perdido para quem quis perdê-lo. E para os professores, foi um ano de muito ensino e, claro, de muito aprendizado.

*Marcelo Frizon é professor dos colégios Dom Bosco, Santa Cecília e Leonardo da Vinci Alfa

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