Educação
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Projeto de reforma relatado por ex-ministro de Temer prevê redução de carga horária da formação básica e retira 300 horas de matemática e português, por exemplo
Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília
A proposta do governo federal para alterar a estrutura do ensino médio nacional que está em vigência desde a época de Michel Temer (MDB/SP) será avaliada pelo Senado a partir desta terça-feira, 12.
O clima é de expectativa entre entidades do setor que discordam do relator da matéria na Câmara, o deputado federal Mendonça Filho (União-PE) que sugere redução da carga horária da Formação Geral Básica (FGB) de 2.400 horas para 2.100 horas. A FGB é a parte obrigatória do currículo para todos os estudantes.
Mendonça Filho foi ministro da Educação de Temer e na sua gestão foi implementada uma reforma de ensino médio que desagradou grande parte de especialistas e instituições que defendem uma educação de qualidade para o país.
O foco das críticas em especial se concentra no caráter tecnicista da política implementada após a derrubada da presidente Dilma Rousseff (PT). Essa política reduziu a carga horária de disciplinas consideradas importantes para a formação integral dos estudantes.
Para organizações que integram o Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE), a redução de 300 horas proposta pelo ex-ministro de Temer levará a diminuição de dois meses de aulas importantes como matemática e português.
Mendonça filho, ao fazer a alteração disse que estaria atendendo sugestão do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) para que a FGB tenha 300 horas disponíveis para o ensino técnico.
Camilo Santana (PT), atual ministro da Educação rebateu as declarações. Segundo ele, o Consed aprovou a proposta encaminhada pelo governo.
Em provocação, Santana afirmou: “foi um processo de ampla discussão, não foi um projeto feito por uma Medida Provisória, como da vez passada”.
A proposta original do MEC que prevê 2.400 horas para a FGB abre exceção para o ensino profissionalizante. Este poderia ter um piso de 2.100 horas.
“Uma redução na carga horária da formação geral básica para 2.100 horas representa uma redução de 30 minutos no acesso aos conteúdos das disciplinas escolares a cada dia. Em outras palavras, é como se os estudantes das escolas públicas tivessem apenas 2,7 anos de escolaridade no ensino médio, ao passo em que nas escolas privadas a formação continuará a mesma. Se a carga horária das disciplinas permanecer no patamar atual das 1.800 horas totais, o efeito será duplicado”, diz documento do Coletivo em Defesa do Ensino Médio de Qualidade.
Para marcar seu protesto contra a proposição de Mendonça Filho, o FNPE articula manifestação nas redes sociais tanto na parte da manhã, quando uma subcomissão do Senado avalia a matéria e, na parte da tarde, quando a matéria estiver em votação no plenário.
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação e integrante da Coordenação Executiva do FNPE, Heleno Araújo, ressalta a importância de se garantir 2.400 horas para a formação geral básica dos estudantes, o fortalecimento da formação profissional integrada, o retorno da língua espanhola como disciplina obrigatória nas escolas. Heleno afirma que é preciso “acabar com essa ideia do notório saber ministrando aulas na educação básica”.