Educação
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Lançamento do programa Todo Jovem na Escola, no início de março, Instituto de Educação General Flores da Cunha, pelo governador Eduardo Leite (PSDB), em cerimônia com a presença do ouvidor do Tribunal de Contas, Cezar Miola
Foto: TCE/RS Divulgação
Uma auditoria de técnicos do Tribunal de Contas do Estado (TCE) aponta irregularidades em pagamentos do programa Todo Jovem na Escola, bolsa do governo gaúcho paga a estudantes do ensino médio na rede estadual. O relatório de 46 páginas indica que quase 23 mil alunos receberam o auxílio sem atender os critérios estabelecidos pelo próprio programa, entre 2022 e 2023. Também foram encontrados registros de 103 bolsas pagas em duplicidade.
Além disso, houve repasses a estudantes cujos responsáveis são funcionários públicos com renda maior do que o limite permitido. Nessa lista, constam 136 servidores do estado, dos quais 109 da Secretaria da Educação (Seduc).
Para o pagamento do auxílio de R$ 150,00, há necessidade de cumprir três condições: situação social, engajamento estudantil e disponibilidade operacional.
Segundo o Tribunal de Contas do Estado, houve prejuízo potencial de ao menos R$ 5,5 milhões. Os auditores sugerem a responsabilização da secretária da Educação, Raquel Teixeira, e do coordenador responsável pelo programa, além de determinar a suspensão imediata de repasse a esses beneficiários.

Sobre as avaliações internas e externas, a política tem se mostrado ineficaz. Alguns professores ouvidos pelos auditores a respeito, trouxeram essas afirmações
Imagem/ TCE Divulgação
O documento foi produzido em 2023 pelos auditores Bruno Hartmann Iop e Cyro Carlos Garcez Junior e assinado no dia 16 de janeiro. O processo ficou sob relatoria do conselheiro Estilac Xavier. O período examinado se refere ao período de janeiro a julho de 2023.
O Tribunal de Contas do RS determinou a suspensão de repasse aos beneficiários, além de sugerir responsabilização dos gestores.
Em 18 de março, o conselheiro-substituto Alexandre Mariotti concedeu tutela de urgência para suspender repasses a familiares de servidores públicos com renda superior ao limite do programa.
Em manifestação, a Seduc diz que “o processo de auditoria do Programa Todo Jovem na Escola se encontra em fase de apontamentos e esclarecimentos por parte da Secretaria de Educação (Seduc) junto ao Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE). O relatório foi construído entre os meses de abril a junho de 2023, período em que o Programa passava por reformulação e que culminou no lançamento do novo modelo dos benefícios instituído pela Lei Nº 16.090, de 10 de janeiro 2024”.
Para reduzir evasão
O programa foi lançado em 2021 com o objetivo de conter a evasão escolar durante a pandemia e consiste no pagamento de R$ 150 mensais por estudante com renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa ou três mínimos totais. Para isso, o aluno deve ter ao menos 75% de frequência e participar de avaliações internas e externas.
“O Programa foi criado como resposta ao alto movimento de abandono escolar que se aprofundou no Rio Grande do Sul no contexto da pandemia da emergência sanitária da Covid-19”, ressalta a Seduc.
Ainda conforme a secretaria, “não se tratam de pagamentos indevidos na perspectiva do Programa Todo Jovem na Escola, estando de acordo com as orientações do Conselho Nacional de Educação e com as condicionalidades operacionais do contexto pós-pandemia”.
O governo orçou R$ 731,6 milhões para o programa Todo Jovem na Escola entre 2024 e 2026.
Nota da Seduc na íntegra