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12/02/2019
MOVIMENTO

Audiovisual de 6 minutos esclarece a importância da reivindicação de territórios tradicionais pelo movimento indígena brasileiro
Por Gilson Camargo e Valéria Ochôa
A mensagem de “Retomada Yvyrupá” é o contentamento de meninas e meninos que têm sua educação baseada nas relações com a natureza

A mensagem de “Retomada Yvyrupá” é o contentamento de meninas e meninos que têm sua educação baseada nas relações com a natureza

Foto: Cristina Àvila

“Retomada Yvyrupá” é o título do audiovisual de 6 minutos que esclarece a importância da reivindicação de territórios tradicionais pelo movimento indígena brasileiro. “A gente voltou a viver”, explica o cacique André Benitz ao mostrar cenas da escola indígena ao ar livre dos Guarani Mbyá, em uma área preservada da Mata Atlântica, retomada em Maquiné, há cerca de 130 km de Porto Alegre. Realizado por três jornalistas – a gaúcha Cristina Ávila, o brasiliense André Corrêa e o uruguaio Pablo Albarenga – com apoio do jornal Extra Classe e do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o trabalho foi lançado nesse final de semana na Banca da Conceição (da também jornalista Conceição Freitas), ponto de referência de rodas de conversas de ativistas da cultura em Brasília, na Asa Sul.

Yvyrupá é a expressão que os Mbyá usam para designar a estrutura que sustenta o mundo terrestre, e evocar o sentido de ocupação de seus territórios de maneira livre, como era antes da chegada dos europeus no Brasil. Cristina, na direção, e André, na edição e finalização, criaram o audiovisual por meio de suas mídias independentes “No Caminho te Explico” e “FotoAzul Filmes”. Ele conceituou a criação como “um manifesto” em favor das populações tradicionais. Cristina ressalta a importância do movimento indígena, especialmente neste momento. Em janeiro, se intensificaram invasões de terras indígenas, por madeireiros e com derrubadas de florestas para plantio de pastagens. “No Congresso Nacional, em 2017 foram contabilizadas 848 tramitações de projetos de leis anti-indígenas, que fazem consonância com iniciativas do Executivo para a extinção de direitos constitucionais”, ressalta.

Os Guarani Mbyá – que têm como característica o comportamento conciliador e a paciência de espera – nos últimos dois anos resolveram apressar a recuperação de territórios tradicionais

Os Guarani Mbyá – que têm como característica o comportamento conciliador e a paciência de espera – nos últimos dois anos resolveram apressar a recuperação de territórios tradicionais

Foto: Cristina Àvila

Mas, o recado de “Retomada Yvyrupá” é o contentamento de meninas e meninos que têm sua educação baseada nas relações com a natureza. Imagens lindas de Pablo Albarenga, que incluem drone, mostram uma Mata Atlântica exuberante. A mais bela cena é do coral das crianças. “As retomadas não são apenas de terras”, enfatiza o cacique André Benitz. O trabalho mostra ações cotidianas, de resgate de aspectos culturais que estavam adormecidos, sem prática, por causa da situação precária dos acampamentos nas estradas, onde viviam e não podiam exercitar coisas do dia a dia comum, como o plantio das sementes de espécies tradicionais do milho que eles guardam para usar em espaços reconquistados.

Orientados por espíritos e visões em sonhos, os Guarani Mbyá – que têm como característica o comportamento conciliador e a paciência de espera – nos últimos dois anos resolveram apressar a recuperação de territórios tradicionais, e já fizeram cinco retomadas no Rio Grande do Sul. Uma delas na capital gaúcha, no bairro Belém Novo, outra em Viamão, na Grande Porto Alegre, e nos municípios de Maquiné, Rio Grande e Terra de Areia. No estado, 2 mil índios, incluindo também os Kaingang, vivem em 27 acampamentos na beira de rodovias ou em áreas degradadas, alguns montados há mais de 40 anos à espera de respostas às suas reivindicações.

ACESSE A ÍNTEGRA DO AUDIOVISUAL “RETOMADA YVYRUPÁ”

PARA SABER MAIS:
Cimi denuncia parlamentares anti-indígenas
Aldeia no asfalto

 

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