Movimento Velharada Rebelde será lançado nesta quinta-feira, 18

O desafio será combater o etarismo, disseminando a consciência de que a velhice digna é um direito inalienável e pode ser vivida de forma coletiva, autônoma e comunitária

 

Velharada Rebelde

“Merecemos e conquistaremos uma velhice digna com nossa união, nossa palavra, nosso realismo e nossa alegria”, declaram as organizadoras e organizadores

Foto: Luiz Abreu

Somos velhas. Somos velhos. Estas palavras não nos assustam. Somos as velhas e os velhos do século 21, integrantes de uma geração que sonhou em mudar o mundo e que revolucionou os costumes. Fomos jovens rebeldes e não abrimos mão de nossa rebeldia. Dispensamos eufemismos traduzidos em palavras como terceira idade, melhor idade, envelhescência, gerontolescência, geração prateada e outras do gênero, incluindo expressões em inglês como nolt (New Older Living Trend), silver economy ou baby boomers. Queremos direitos, queremos transmitir nosso legado, queremos respeito e um lugar neste mapa de diversidade que é o nosso mundo. É o que diz um trecho  no Manifesto do Movimento da Velharada Rebelde (Mover), um coletivo disposto a combater o etarismo.

O lançamento do movimento está marcado para 18 de junho, na Casa Alice (Rua Olavo Bilac, 188), às 18h. No domingo, 21, ocorrerá um ato de apresentação pública à cidade, no Parque da Redenção, junto ao Monumento ao Expedicionário, das 11h às 15h, com participação da Rádio na Rua e de artistas locais.

O que é o Mover

O movimento foi organizado pela Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação (Alice), em parceria com as Mulheres Inquietas.

Sem hierarquias ou cargos diretivos, o Mover pretende focar sua atuação na articulação com grupos já existentes, disseminando a consciência de que a velhice digna é um direito inalienável e pode ser vivida de forma coletiva, autônoma e comunitária.

Para isso, seguirá três linhas básicas de atuação: proposição de políticas públicas para essa faixa etária, realização de atividades culturais e promoção de reuniões regulares para a tomada de decisões conjuntas entre os participantes.

Na data do lançamento, 18 de junho, estão programadas apresentações artísticas e uma feira de artesanato, quitutes e livros. Engana-se, porém, quem pensa que será apenas um dia de festa.

Os participantes também debaterão o Manifesto, inicialmente esboçado no grupo LerAlice (Leitura, Escrita e Rebeldia), dedicado à leitura e à escrita coletiva, e posteriormente reescrito durante o encontro Tempo da Velharada, realizado em 2025.

A fórmula é simples: equilíbrio entre seriedade e bom humor.

“Merecemos e conquistaremos uma velhice digna com nossa união, nossa palavra, nosso realismo e nossa alegria”, declaram as organizadoras. Porque a alegria, senhoras e senhores, é transgressora, transformadora e revolucionária”, declaram as criadoras do movimento.

Alice – Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação

A Alice é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que, há 27 anos, atua pelo direito à comunicação, desenvolvendo projetos autogestionários voltados a comunidades sem representatividade na mídia tradicional e sem registro na história oficial. Ou seja, aos muitos mundos escondidos e esquecidos que existem no mundo.

A entidade defende o direito de todas, todos e todes ao conhecimento, à cultura, à arte e à convivência harmônica em uma sociedade mais justa e sustentável. Também combate o racismo, a homolesbotransfobia, o etarismo, a xenofobia, o machismo e os preconceitos de gênero, socioeconômico, ambiental, étnico-racial, religioso e capacitista, além de outras violações dos direitos humanos.

Mulheres inquietas

Alice Diesel, Ana Lúcia Pompermayer e Heloisa Palaoro são as três Mulheres Inquietas que tricotam histórias e adereços, refletindo e criando a partir dos temas do envelhecimento e do fim da vida.

Tudo começou em 2019, durante um curso de formação de Doulas da Morte. De uma mesa colorida de estudos e reflexões nasceram a Tricotagem das Mulheres e a participação em feiras de artesanato.

Em seguida vieram os Saraus das Inquietas e o projeto Enquanto o Tempo Passa, totalizando nove eventos, além de oficinas que levam ao público, com arte e leveza, reflexões sobre o envelhecimento e a morte.

SERVIÇO

Lançamento do Movimento Velharada Rebelde

Dia 18 de junho, quinta-feira, 18h, na Casa Alice (Rua Olavo Bilac, 188, Bairro Farroupilha, em Porto Alegre), com Roda de Conversa, Feira de artesanato, brechó, quitutes e apresentações artísticas.  Entrada: contribuição espontânea;

Dia 21 de junho, domingo, 11h, junto ao Monumento do Expedicionário, no Parque da Redenção, também em Porto Alegre.

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