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Foto: Arquivo pessoal
Milhares de pessoas em figurinos coloridos e com muito estilo, portando leques e bandeiras levaram alegria e luta ao Parque da Redenção para celebrar a 29ª Parada Livre de Porto Alegre, no domingo, 14 de junho. A edição propôs uma reflexão sobre a participação de pessoas LGBTQIAP+ na política institucional e convocou que a comunidade se envolva no processo eleitoral deste ano, com o objetivo de frear políticas que apresentem retrocessos para os direitos da comunidade LGBTQIAP+.
Artistas locais animaram a festa com shows de música e muita dança. Entidades de trabalhadores participaram da festa com o compromisso de apoiar a busca por representatividade da comunidade LGBTQIAP+, como o Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS), que debutou com barraca própria durante o ato, entrega de materiais e escuta atenta aos professores presentes ao evento.
O tema “nosso orgulho na urna” convocou a comunidade a combater a precarização e a escala 6×1. As pessoas LGBTQIAP+, as mulheres e os negros são maioria nos serviços mais precarizados, que aplicam majoritariamente a escala 6×1, como os setores de serviços e comércio. O diretor do Sinpro/RS, Erlon Schüler destacou que as pautas de representatividade para a comunidade LGBTQIAP+ se relacionam com as lutas por trabalho decente, mais direitos e direito ao descanso.
“A intenção da 29ª Parada foi fazer as pessoas se envolverem com as nossas pautas: mais respeito aos LGBTQIAP+, a inclusão dessa população, melhores salários, melhor tratamento e direitos”, reforça o diretor, contra a discriminação e as violências destinadas à comunidade.
Ele também criticou a postura da prefeitura municipal, que vedou manifestações de caráter eleitoral ou político partidário durante o mês do orgulho na capital, através da Secretaria Municipal Geral de Governo (SMGG).
“Tudo indica que houve uma censura por parte do poder municipal em solicitar que não tivessem manifestações políticas. Não tem como, é uma manifestação popular por parte da sociedade civil organizada, de organizações não governamentais, de times de futebol, de inclusão, de sindicatos, de centrais sindicais. Então é impossível desvincular a luta da Parada de uma luta política”, contextualiza Erlon.
Foto: Arquivo pessoal
As falas de representantes do movimento LGBTQIAP+ e líderes sindicais convidaram a comunidade a se envolver politicamente para frear retrocessos e a ascensão de figuras que propaguem ódio contra suas vidas e sexualidades, e ampliar os direitos. Eles exaltaram a necessidade de mais LGBTQIAP+ na política para olhar para as pautas da comunidade, citando o exemplo da luta pelo fim da escala 6×1, que se nacionalizou a partir de movimento iniciado pelo atual vereador Rick Azevedo (PSOL-RJ), um homem negro LGBT, que foi abraçado pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), uma mulher trans negra.
A Câmara de Vereadores de Porto Alegre conta com uma vereadora travesti, Natasha Ferreira (PT), uma vereadora transexual Atena Roveda (PSOL) e um homem gay, Giovani Culau (PCdoB).
No evento, algumas falas também criticaram o governador Eduardo Leite (PSD), que é homossexual, não compareceu ao evento e que é alinhado politicamente à redução do Estado e maior flexibilização de direitos dos trabalhadores.
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre promoveu ações voltadas à saúde, prevenção e acesso à informação com a entrega de materiais educativos sobre a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), de prevenção ao HIV/Aids entre a comunidade LGBTQIAP+ portoalegrense. Além dos materiais, a secretaria disponibilizou testes rápidos, camisinhas e gel lubrificante. As ações são fundamentais para lidar com os indicadores epidemiológicos do HIV/Aids na cidade, combater o preconceito contra a população LGBTQIAP+ e conscientizar os mais jovens sobre a importância dos métodos de prevenção.
A capital gaúcha apresenta a maior taxa bruta de mortalidade por Aids no país: 20,2 óbitos por 100 mil habitantes, três vezes mais que o valor da taxa bruta nacional. A principal via de exposição sexual em Porto Alegre é a relação heterossexual: cerca de 62% dos casos de notificados de HIV em 2024 na capital apontaram homens expostos ao vírus a partir de relações heterossexuais, diferente do cenário nacional que aponta maior exposição de homens que têm relações sexuais com outros homens. Os dados são do Boletim Epidemiológico de HIV/Aids de Porto Alegre, de 2024 e 2025.