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Nº 022 | Ano 3| Jun 1998
ENSINO PRIVADO
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Acordo encerra ação conta pai de aluno

Da redação

Um pedido de desculpas públicas. Esta foi a condição do professor Sani Belfer Cardon para assinar o acordo e encerrar o processo por danos morais que movia contra Rogério Gelbcke Cazzeta – pai de dois alunos da escola onde Cardon trabalha. Ajuizada no dia 3 de março deste ano, a ação teve origem no dia 10 de dezembro do ano passado, quando a escola realizava sua olimpíada anual. Cardon coordenava as atividades realizadas na quadra de esportes, um espaço pequeno para reunir os alunos e seus pais. Pediu aos pais que estavam presentes que se retirassem para que o evento pudesse ocorrer normalmente. “A maioria entendeu a justificativa. Cazzeta não aceitou. Na frente de todos os presentes, me chamou de juca e mandou eu me f.”, conta. “Aceitei o pedido dele, para fazer um acordo, porque ele se propôs a pedir desculpas públicas, como foram públicas as ofensas”.

Inédita no Departamento Jurídico do Sinpro/RS, o ajuizamento da ação por danos morais foi feito cerca de seis meses depois de ocorridas as ofensas ao professor. “Neste tempo todo, o Rogério não voltou a falar comigo. Pelo contrário, passava e nem me cumprimentava. Depois de receber a notificação judicial da ação, ele foi à direção da escola pedir para que fosse feito um acordo”, conta Cardon. O professor diz que recebeu a solidariedade de vários outros professores. “Muitos deles chegaram a relatar que também já foram ofendidos por pais de alunos”.

No desagravo público, Cazzeta admite ter se dirigido ao professor com um linguajar ofensivo. Finaliza o texto dizendo: “Em realidade minha atitude foi uma explosão de descontentamento com a situação e nada particularmente ou pessoal com o referido professor, pois reconheço que o mesmo foi coerente frente ao seu papel na organização e zelo pelo evento, e minha atitude foi descabida, equivocada e ofensiva ao professor e demais presentes”.

Cazzeta diz que não imaginava que o caso fosse parar na justiça. “Este tipo de questão teria que ser resolvida dentro da escola, como sempre foi meu procedimento”, avalia. “Fui aluno por cinco anos desta escola, conheço todas as pessoas que trabalham lá e sempre participei das atividades promovidas. Ainda não entendo o motivo que levou o professor a entrar na justiça. Foi um absurdo”.

Cecília Bujes, coordenadora da Secretaria de Assuntos Jurídicos do Sinpro/RS, diz que, apesar de inédito, o ajuizamento desta ação está dentro da proposta do Sinpro de acompanhar os professores em todas as circunstâncias. “Sempre que um professor for desrespeitado em seu ambiente de trabalho, deve recorrer ao sindicato para buscar uma solução para o problema”. Cecília considera elogiosa a atitude do professor Sani que, sentindo-se agredido verbalmente na escola onde trabalha, procurou o seu direito afim de que este fato não ficasse impune.

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