Jornal Extra Classe - Jornalismo além da superfície
Nº 217 | Ano 22 | SET 2017
ESPECIAL | CULTURA DOADORA
CADERNO DOAÇÃO DE ÓRGÃOS

Junto com a nota do trimestre, um lembrete

Estudantes assistiram a palestras e elaboraram material sobre transplantes e doação de órgãos

Foto: Igor Sperotto

Estudantes assistiram a palestras e elaboraram material sobre transplantes e doação de órgãos

Foto: Igor Sperotto

Pais e mães de estudantes do Colégio Estadual Emílio Massot, em Porto Alegre, vão receber nes­te ano, junto com os boletins de notas de seus filhos, folhetos sobre doação de órgãos e tecidos ela­borados pelos próprios jovens. Pela primeira vez, nos cinco anos do Projeto Cultura Doadora da Fundação Ecarta, uma escola inteira aderiu à proposta: ao longo dos últimos três meses, todos os professores, funcio­nários e alunos do Emílio Massot tiveram a oportuni­dade de assistir a palestras com especialistas e trans­plantados para falar sobre o tema e eliminar dúvidas ou medos, abraçando assim a ideia da cultura doadora.
O professor Francismar Alves, de Ciências, assis­tiu às palestras e decidiu transformar a doação de órgãos e tecidos em matéria de sala de aula, traba­lhada junto com as disciplinas de Matemática, Artes e Português. Pediu aos alunos das nonas séries para pesquisarem em grupos sobre transplantes. A pri­meira parte do trabalho foi apresentada em grande grupo, com cartazes e slides informativos. A segun­da foi uma pesquisa por escrito.

Professores das demais disciplinas participaram para ajudar na elaboração de infográficos, desenhos do corpo humano, correção ortográfica do traba­lho por escrito. Nem os nomes mais difíceis, como imunossupressores, que confundiram alguns na hora da apresentação, tiraram o valor e a dedicação para preparar cartazes, desenhos, infográficos, slides para falar sobre doação de órgãos e tecidos. Transplantes e salvar vidas foram palavras que ecoaram pelos cor­redores, em uma exposição e nas palestras, cujos con­teúdos foram comentados nas casas, após as aulas.

Por que alguém precisa de transplante? Quantos órgãos foram transplantados no Brasil? Como acon­tece o transplante de pulmão? E do coração? Quem pode doar? Alunos e alunas foram atrás das respos­tas, acumulando conhecimentos e compartilhando noções de solidariedade. Para apoiar a pesquisa fei­ta por estudantes, Francismar contou também com a colaboração de cinco acadêmicos de Biologia do Programa de Incentivo à Licenciatura da PUCRS, con­vênio no qual atua como supervisor.

Entre uma e outra apresentação de estudantes, uma descoberta: a professora de Educação Física da es­cola Andreia Steffanello Pereira, 32 anos, recebeu um transplante de córnea quando tinha 16 anos por cau­sa de uma doença chamada Ceratocone, que faz com que a imagem fique desfocada. A doença se manifestou apenas no olho esquerdo – no olho direito tem visão perfeita. Após o transplante, Andreia recuperou 60% da visão do olho esquerdo. A turma que havia escolhido falar de transplante de córnea ficou empolgada. Era a vida real entrando na escola pela porta da frente, sem intermediários. Assim, ficou mais fácil entender o prin­cípio da doação de órgãos e tecidos.

“A doação permite que as vidas de outros si­gam em frente. Podendo salvar alguém, por que não doar?”, perguntou Andreia. E as palestras nas escolas vão continuar semeando doadores.

No Colégio Bom Jesus Sévigné, em um encontro com professores, o médico Spencer Camargo reproduziu um diálogo:

“– Não quero ser doador.
– E receptor?
– Ah, receptor, sim”.

Camargo lembrou que a chance de alguém vir a precisar de um órgão é maior do que ser um doador. “Nós, professoras, temos de estar bem informadas para passar informação para os estudantes”, obser­vou Ana Lúcia Vargas, 55 anos, professora de História e Empreendedorismo do Sévigné, após assistir à fala de Spencer. “Tratamos da morte como um fim, mas pode ser um começo para outra pessoa”, refletiu.

 

EXPEDIENTE – ESPECIAL DOAÇÃO DE ÓRGÃOS
REDAÇÃO – extraclasse@sinprors.org.br
Coordenação: Valéria Ochôa
Edição: Gilson Camargo
Redação: Clarinha Glock e Marcia Santos
Diagramação e Projeto Gráfico: Fabio Edy Alves/ Bold Comunicação
Fotografia: Igor Sperotto
Revisão: Press Revisão

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