Lô Borges, um dos fundadores do Clube da Esquina, morre aos 73 anos

Cantor e compositor participou do movimento Clube da Esquina ao lado de Milton Nascimento e influenciou várias gerações da MPB. Nesta segunda-feira, faleceu Clara Chaft, viúva de Marighella
Lô Borges, um dos fundadores do Clube da Esquina, morre aos 73 anos

Lô Borges inovou a MPB com gravações coletivas de discos antológicos no movimento que continua influenciando novas gerações de artistas

Foto: Bárbara Dutra/ Divulgação

O cantor e compositor mineiro Salomão Borges Filho, Lô Borges, morreu na noite de domingo, 2, às 20h50, aos 73 anos. Ele estava hospitalizado em Belo Horizonte desde o dia 17 de outubro, devido a uma intoxicação por medicamentos.  A causa foi falência múltipla de órgãos, segundo boletim divulgado pelo Hospital Unimed, em BH.

Um dos maiores expoentes da MPB, fundador e integrante do Clube da Esquina, ao lado de Milton Nascimento, movimento que revolucionou a música nacional a partir dos anos 1970 e 1980.

O movimento, batizado em referência a um disco homônimo de 1972, fundia influências do rock, do jazz e da música psicodélica com a tradição da MPB e das mineiras, criando uma sonoridade atemporal e complexa.

Álbum inovador, com canções que escaparam da censura em meio à ditadura militar, no Brasil, o disco Clube da Esquina, de Lô Borges e Milton Nascimento, lançado em 1972, foi eleito em 2024 como o nono melhor de todos os tempos, por especialistas da revista Paste, dos Estados Unidos. Borges destacou à época o significado especial desse ranking, já que dividiu espaço com grandes ídolos que o inspiraram, por exemplo os Beatles. “Eu fiquei muito feliz, muito honrado. Conversei com o Milton e ele tava super feliz também, então foi uma alegria generalizada, do pessoal do Clube. Um site internacional, com tantos artistas internacionais envolvidos na lista que, realmente, a honra foi maior um pouco. Porque o álbum Clube da Esquina, 50 anos ser um álbum reverenciado e ser referência para várias pessoas, não só no Brasil, como no mundo, é motivo de muito orgulho”, disse à época.

Algumas canções de autoria de Lô Borges são O trem azulUm girassol da cor do seu cabeloTudo que você podia ser Nada será como antes, em parceria com Milton Nascimento.

Ele teve músicas gravadas por Tom Jobim, Elis Regina, Milton Nascimento, Flávio Venturini, Beto Guedes, 14 Bis, Skank, Nando Reis, entre outros.

Viúva de Marighella, Clara Charf morre aos 100 anos

Lô Borges, um dos fundadores do Clube da Esquina, morre aos 73 anos

Clara Chaft estava hospitalizada em São Paulo

Foto: MDHC/Divulgação

A ativista brasileira Clara Charf, viúva de Carlos Marighella, morreu nesta segunda-feira, 3, aos 100 anos, de causas naturais. Ela estava hospitalizada havia alguns dias e foi intubada, segundo comunicado da Associação Mulheres Pela Paz, da qual era fundadora e presidenta.

Para a organização, Clara “deixa um legado de lutas pelos direitos humanos e equidade de gênero”. Em nota, a entidade destaca que “Clara foi grande. Foi do tamanho dos seus 100 anos. Difícil dizer que ela apagou. Porque uma vida com tamanha luminosidade fica gravada em todas e todos que tiveram o enorme privilégio de aprender com ela. Vá em paz, querida guerreira.”

Clara foi uma mulher à frente de seu tempo e teve de se reinventar e vencer enormes obstáculos ao longo de sua vida, principalmente aqueles ligados a seu companheiro, que foi perseguido e morto pela ditadura militar.

Na década de 1940, ela se tornou comissária de bordo, mas desde muito cedo – aos 16 anos – participava ativamente da vida política do país. Entrou para o Partido Comunista Brasileiro e, em 1947, se casou com Marighella. Assim como ele, ela também foi perseguida e presa pelo governo ditatorial.

Após a morte de seu marido, foi para o exílio, inicialmente em Cuba. Devido à perseguição, ela viveu dez anos fora do país, retornando em 1979, durante a anistia. No retorno ao Brasil, Clara atuou fortemente na luta pelos direitos das mulheres, pela liberdade e por uma sociedade mais justa e igualitária.

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