O racismo que assombra o mundo com fantasmas do passado

Embaixador do Brasil na Bélgica, Albuquerque e Silva reafirma em livro a urgência da luta global contra o racismo, o preconceito e a xenofobia
O racismo que assombra o mundo com fantasmas do passado

No livro Cidadanias mutiladas, dignidades restauradas, Albuquerque e Silva reflete sobre o racismo e o desmonte das políticas antirracistas no mundo

Imagem: Editora Telha/ Reprodução

O embaixador do Brasil na Bélgica, Silvio José Albuquerque e Silva, vem ao país em novembro para lançar o livro Cidadanias mutiladas, dignidades restauradas (Editora Telha, 2025, 120 p.). A obra discute o desmonte das políticas de igualdade e a reemergência das intolerâncias no Brasil e no mundo e teve suas sessões de lançamento marcadas justamente no mês da Consciência Negra, a pedido do próprio diplomata.

Na obra, o autor reúne histórias reais de resistência ao racismo, à misoginia, à xenofobia e à exclusão social. “O mundo de hoje voltou a ser habitado por muitos fantasmas do passado”, afirma Albuquerque e Silva.

Para ele, o ressurgimento de ideologias extremistas, a manipulação do medo e o ódio a mulheres, afrodescendentes, povos indígenas, migrantes e membros da comunidade LGBTQIA+ “exigem de todos perseverança na luta por direitos, igualdade e justiça”.

O autor chega a revelar certo pessimismo diante do que analisa ser uma profusão crescente de casos de racismo e discriminação racial. “Nos leva a crer que o racismo jamais poderá ser eliminado, mas precisamos dar um basta nesse paradigma”, pontua.

O racismo que assombra o mundo com fantasmas do passado

Albuquerque e Silva, gesto em defesa da igualdade, da empatia e do direito de existir plenamente

Foto: Acervo Pessoal

Um apelo ao que resta de humanidade

Inspirado nas reflexões do geógrafo Milton Santos, o embaixador Albuquerque e Silva propõe o reconhecimento da dignidade humana como fundamento da convivência democrática. A jornalista Flávia Oliveira, que assina o prefácio da obra, define o trabalho do embaixador como “um apelo ao que resta de humanidade em nós”. Para Albuquerque e Silva, Cidadanias mutiladas é mais do que um livro – é um gesto político e afetivo em defesa da igualdade, da empatia e do direito de existir plenamente.

O racismo que assombra o mundo com fantasmas do passadoImagem: Capa/ ReproduçãoOs lançamentos acontecem no dia 20 de novembro, na Livraria Leonardo da Vinci, Rio de Janeiro, e dia 26, no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), em Salvador, BA.

O livro integra o selo Pensamento Negro Contemporâneo da Editora Telha. Coordenado por Richard Santos e Maria do Carmo Rebouças, valoriza a produção intelectual negra no Brasil e na diáspora.

Diplomata, escritor e dramaturgo, Silvio José Albuquerque e Silva é o primeiro negro a liderar uma missão diplomática brasileira na Europa em um século. Com mais de três décadas de carreira, já chefiou a embaixada brasileira no Quênia, representou o país junto à ONU em Nairóbi e atuou em postos como Colômbia, Chile e Canadá.

Ele também foi membro do Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial das Nações Unidas. Autor de Multilateralismo Ambiental e Discriminação Racial (Fundação Alexandre de Gusmão, 2024). Traduziu O Topo de Montanha, de Katori Hall, peça de teatro que retrata ficticiamente a última noite de Martin Luther King Jr. no quarto de hotel 306, na véspera de seu assassinato em 1968.

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