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O Dia da Visibilidade Trans tem origem em um ato histórico realizado em 29 de janeiro de 2004, quando travestis, mulheres e homens trans ocuparam o Congresso Nacional, em Brasília
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Celebrado em 29 de janeiro, o Dia da Visibilidade Trans marca a luta por reconhecimento, direitos e políticas públicas para uma das populações mais vulnerabilizadas do Brasil. A data, que surgiu a partir de um ato histórico realizado em 2004 no Congresso Nacional contra a transfobia, segue atual em um país que ainda convive com índices alarmantes de violência contra pessoas trans.
Levantamento mais recente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) aponta que ao menos 80 pessoas trans foram assassinadas em 2025 devido a sua condição. Embora o número represente uma redução em relação ao ano anterior, a entidade alerta que os dados não indicam melhora estrutural. O monitoramento revela que a maioria das vítimas vivia em situação de pobreza, tinha baixa inserção no mercado formal de trabalho e foi morta em espaços públicos. Quase metade exercia o trabalho sexual. Isso para a Antra evidencia a relação entre exclusão social e maior exposição à violência.
O relatório, entregue ao governo federal na segunda-feira, 26, em Brasília, também chama atenção para a juventude como fator central de risco: a vítima mais nova registrada tinha 13 anos. O Nordeste concentrou o maior número de casos, refletindo desigualdades sociais históricas da região. A Antra ressalta ainda a subnotificação como um obstáculo permanente, já que o Estado brasileiro não produz dados oficiais sistemáticos sobre a população trans.
Nesse contexto de enfrentamento à violência e de disputa por espaço na vida pública, iniciativas da sociedade civil buscam ampliar o debate e dar visibilidade ao tema. Também neste dia 29, em São Paulo, a organização VoteLGBT lança o livro Cuidado e Coragem: a violência política LGBTfóbica no Brasil (Editora Jandaíra). A obra analisa episódios de violência política motivados por LGBTfobia e discute os impactos dessas práticas sobre a participação de pessoas LGBTQIA+ nos espaços de poder.
O lançamento ocorre na Livraria Megafauna, no edifício Copan, e inclui um debate com as autoras Raissa Romano e Alciana Paulino, além de Luyara Franco, diretora do Instituto Marielle Franco e responsável pelo prefácio. A escolha da data reforça a articulação entre produção de conhecimento, memória política e a agenda de visibilidade trans.
O Dia da Visibilidade Trans tem origem em um ato histórico realizado em 29 de janeiro de 2004, quando travestis, mulheres e homens trans ocuparam o Congresso Nacional, em Brasília, durante o lançamento da campanha “Travesti e Respeito”, promovida pelo então Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde.
Pela primeira vez, o Parlamento brasileiro foi palco de uma ação institucional que reconhecia publicamente a existência das pessoas trans e denunciava a transfobia como uma violação de direitos humanos. O ato simbolizou a ruptura com a invisibilidade imposta historicamente a essa população e marcou a entrada das pautas trans na agenda pública nacional, tornando-se referência para a criação do Dia da Visibilidade Trans no Brasil.