Movimento
Arquitetos e Urbanistas pedem a não promulgação do Plano Diretor de Porto Alegre
Desembargadores federais reconhecem legitimidade do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul…

A visita dos sindicalistas italianos teve como objetivo trocar experiências com a CUT-RS e com sindicatos ligados à agricultura familiar e à indústria da alimentação, representados pela Fetraf-RS e pela FTIA-RS
Foto: Vanessa Albuquerque/ FETRAF-RS
Entre os dias 7 e 12 de março, dirigentes da federação de trabalhadores italiana FLAI-CGIL estiveram no Brasil para uma troca de experiências com a CUT/RS e sindicatos filiados. Durante a visita, os representantes da entidade analisaram o cenário político e educacional da Itália e fizeram um alerta: o país vive um processo de enfraquecimento da educação pública, acompanhado pelo avanço do setor privado e por pressões ideológicas sobre professores e estudantes.
FLAI – Federazione Lavoratori AgroIndustria – é a federação que representa os trabalhadores do campo e da cidade ligados ao setor da alimentação, enquanto a CGIL – Confederazione Generale Italiana del Lavoro –, que é a maior central sindical italiana equivalente ao papel que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) exerce no Brasil.
A visita teve como objetivo trocar experiências com a CUT-RS e com sindicatos ligados à agricultura familiar e à indústria da alimentação, representados pela Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do RS (Fetraf-RS) e pela Federação dos Trabalhadores da Indústria da Alimentação do RS (FTIA-RS). Durante a agenda no estado, os dirigentes participaram de reuniões e debates sobre atuação dos sindicatos, compartilharam experiências e os desafios do mundo do trabalho.
Segundo Andrea Coinu, cretário de relações internacionais da FLAI, um dos fatores estruturais que influenciam as políticas educacionais na Itália é o envelhecimento da população. “Hoje somos um país de velhos. Há muitos anos o Estado deixou de investir de forma consistente na formação e na educação dos jovens”, afirma.
De acordo com ele, a falta de investimento aparece já nas primeiras etapas da educação. A escassez de creches públicas faz com que grande parte do atendimento às crianças pequenas fique nas mãos de instituições privadas ou ligadas à Igreja. Ao mesmo tempo, reformas implementadas nas últimas décadas abriram espaço para a expansão das instituições privadas de ensino.
“Nos últimos 20 anos foi permitido que instituições privadas entrassem no sistema público de formação e expandissem o mercado das universidades privadas”, explica Coinu. Como resultado, cresce o número de estudantes que buscam formação fora da rede pública, enquanto as escolas estatais enfrentam dificuldades financeiras.
Outro efeito desse processo é a saída de jovens qualificados do país. “Muitos jovens italianos têm formação competitiva, mas não encontram trabalho especializado na Itália e acabam indo trabalhar fora”, diz.

Para Giosuè Matteo, secretário geral da FLAI-Veneto, o cenário atual também tem afetado diretamente professores e estudantes
Foto: Matheus Piccini
Para Daniele Girardi, secretário-geral da FLAI, do município territorial de Belluno, o enfraquecimento da educação pública é resultado de decisões políticas que reduziram o financiamento estatal em diferentes níveis de ensino.
“Por escolha política, muitos recursos foram retirados da educação, desde a escola básica até a pesquisa universitária”, afirma. Ao mesmo tempo, segundo ele, aumentou o repasse de recursos públicos para escolas privadas.
A consequência é visível no cotidiano das instituições públicas. “Os professores são subpagos em relação à média europeia, as escolas estão superlotadas e muitas estruturas físicas estão deterioradas”, afirma.
Girardi também alerta para mudanças nas regras educacionais que, segundo ele, limitam a autonomia pedagógica dos docentes. “As normas estão cada vez mais restritivas e reduzem a liberdade dos professores para ensinar.”
Para a CGIL, a defesa da educação pública é um elemento central da democracia. “A formação é fundamental para construir novos cidadãos e uma sociedade baseada nos valores da Constituição italiana”, afirma.
Além das mudanças estruturais na educação, os sindicalistas apontam um clima político cada vez mais polarizado na Itália. Girardi afirma que, embora não exista uma lei formal de censura, há uma estratégia de comunicação voltada a deslegitimar vozes críticas.
“Existe um ataque constante a quem pensa diferente, muitas vezes por meio de campanhas digitais agressivas”, diz. Segundo ele, esse ambiente enfraquece o debate público e dificulta o diálogo social.
“Sem confronto de ideias não existe negociação, não existe reivindicação. O diálogo social é parte essencial da democracia.”
Para Giosuè Matteo, secretário geral da FLAI-Veneto, o cenário atual também tem afetado diretamente professores e estudantes.
“Estamos assistindo a um desmantelamento da instrução pública com reformas que favorecem cada vez mais o setor privado”, afirma.
Segundo ele, sindicatos e movimentos estudantis têm se mobilizado para defender a escola pública, considerada um dos pilares da formação cidadã. “A educação é fundamental para formar cidadãos com senso crítico e consciência social.”
Matteo relata ainda que professores que incentivam pensamento crítico vêm sofrendo pressões políticas e rotulações ideológicas. Além disso, manifestações estudantis têm enfrentado repressão policial.
“Em vários protestos pela escola pública e pelos direitos sociais, estudantes foram reprimidos com violência”, afirma.