Educação
Paraguai investiga rede de diplomação falsa no ensino superior
Há suspeitas de participação de servidores do próprio MEC paraguaio no esquema. Caso tem semelhanças…
Divulgada pela grande imprensa em junho, a condenação do Reitor da Universidade da Região da Campanha (Urcamp) Morvam Meirelles Ferrugem, por apropriação indébita previdenciária e delito contra a ordem tributária, agravou o clima de incertezas vividos pelos professores nos últimos meses em função de sucessivos atrasos salariais. Ferrugem, que também é presidente da Fundação Atilla Taborda, mantenedora da universidade, deixou de recolher cerca de R$ 2 milhões aos cofres do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Tesouro Nacional. As importâncias foram descontadas dos salários dos professores e funcionários da instituição referentes à contribuição previdenciária de julho de 1991 a fevereiro de 1993 e ao Imposto de Renda Retido na Fonte, durante todo o ano de 1996. “A condenação de Ferrugem em primeira instância é passível de recurso. No entanto, esse fato somado aos crônicos atrasados dos salários dos professores só vem evidenciar ainda mais o que o Sinpro/RS vem afirmando, nos últimos anos, quanto a necessidade de democratização e de maior transparência administrativa na instituição”, destaca Amarildo Pedro Cenci, diretor do Sinpro/RS.
Segundo ele, há anos o Sindicato vem denunciando os atrasos sucessivos dos salários dos professores. “Trata-se de uma irregularidade cometida contra os direitos dos professores em vários campi da Urcamp”, desabafa Cenci. “Em várias ocasiões realizamos acordo para que o débito fosse pago em parcelas mas nem isso foi cumprido”.
Até o fechamento desta edição, os professores dos campi de Caçapava, Dom Pedrito, São Borja, Bagé, São Gabriel, Santana do Livramento e Alegrete ainda não tinham o pagamento regularizado dos seus salários e das respectivas multas, previstas pela Convenção Coletiva de Trabalho em caso de atrasos das remunerações do trabalho dos docentes. O Sinpro/RS está realizando reuniões com os professores de vários campi. Em Santana do Livramento, os professores decidiram agendar uma Assembléia Geral para o início do mês de agosto para avaliar o cumprimento das promessas de regularização do pagamento dos salários. Caso não sejam honradas, definirão formas de luta para garantir o cumprimento de seus direitos. Não descartam, inclusive, a possibilidade de paralisação das atividades.
No dia 11 de agosto, o Sinpro/RS realizará o segundo seminário sobre Educação Superior das regiões Campanha e Fronteira Oeste. O encontro será em Santana do Livramento, no Hotel Verde, e dará continuidade ao debate do primeiro seminário realizado em São Gabriel, em maio. Na pauta, entre outros temas, a democratização nas instituições comunitárias de educação superior.