Justiça do Trabalho abre negociações entre motoristas e empresas de aplicativos

Categoria reivindica reajuste no valor do quilômetro rodado e fim da redução de tarifas provocada pelas promoções e das punições impostas pelas empresas
Após duas paralisações, motoristas de transporte de passageiros por App abriram negociação com as empresas

Após duas paralisações, motoristas de transporte de passageiros por App abriram negociação com as empresas

Foto: Divulgação

O Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4) realizou na tarde de terça-feira, 23, a primeira reunião de mediação com vistas a uma negociação coletiva entre representantes dos motoristas de aplicativos e as empresas Uber, 99 POP e Indriver que atuam no transporte de passageiros em Porto Alegre. No encontro – realizado de modo virtual devido à pandemia –, representante do Sindicato dos Motoristas em Transportes Privados por Aplicativos do Estado do Rio Grande do Sul (Sintrapli-RS), Germano Weschenfelder, apresentou a pauta de reivindicações da categoria. As empresas resistem em reconhecer os motoristas como uma categoria de trabalhadores. Para o TRT4, o vínculo entre as partes está mais próximo de uma relação de trabalho do que comercial.

O dirigente do Sintrapli-RS destacou que o Brasil é o segundo maior mercado do mundo em transportes por aplicativo. “Não temos reajuste desde 2016 nos valores por quilômetro rodado. O que aconteceu na verdade foi uma diminuição de tarifa. Há seis anos o valor era de R$ 1,25 e hoje é de R$ 0,90. Também tínhamos uma taxa fixa de descontos de 25% e hoje ela é variável e fica entre 25% a 40%. Queremos o fim das categorias Uber Promo e 99 Poupa”, ressaltou. As reivindicações motivaram paralisações da categoria em todo o estado nos dias 23 de fevereiro e 17 de março. No dia 9, foi realizada uma audiência pública na Comissão de Segurança Urbana, Defesa do Consumidor e Direitos Humanos, da Câmara Municipal de Porto Alegre, por requerimento do vereador Matheus Gomes (PSol).

Negociação coletiva inédita

Encontro virtual foi mediado pela justiça do trabalho

Encontro virtual foi mediado pela justiça do trabalho

Foto: TVT/ Reprodução

Essa foi a primeira vez que condutores do transporte de passageiros por aplicativos, serviço surgido em março de 2009, sentam à mesa de negociações com as empresas do setor.

A reunião foi mediada pelo juiz Joe Ernando Deszuta, da 7ª Turma Julgadora e na Seção de Dissídios Coletivos do TRT-4. Segundo o juiz do trabalho, o objetivo do encontro foi a abertura do diálogo entre os representantes dos trabalhadores e as empresas. Após a apresentação da pauta por parte do Sintrapli-RS, os representantes das empresas se manifestaram.

Estavam presentes representações da Uber, 99 POP e Indriver. Os advogados das empresas ouviram as reivindicações dos trabalhadores e informaram que irão aguardar o prosseguimento sugerido pelo TRT-4.

Para Claudir Nespolo, secretário de Organização e Política Sindical da CUT-RS, que também participou da reunião, a mediação representou um avanço no diálogo. “Esse é o resultado da organização da categoria, que já realizou duas mobilizações esse ano e tem se colocado em movimento para conquistar direitos”, apontou.

Além do Sintrapli-RS, estiveram presentes representantes da Associação Liga dos Motoristas de Aplicativo (Alma), Liga POA, Associação Motoristas de Aplicativo de Santa Maria, Gepel App de Pelotas, Liga Serra, Uber da Quebrada e Associação de Motoristas de Aplicativo do RS. O procurador do Ministério Público do Trabalho, Paulo Eduardo Pinto de Queiroz, também participou do encontro.

O Sintrapli-RS ficou com a responsabilidade de especificar as reivindicações dos motoristas por empresa para encaminhar as negociações. A sugestão foi feita pelo TRT-4, que defendeu que, apesar da similaridade, existem diferenças no modelo de negócio. Após essa ação, o Tribunal ficou responsável por providenciar o procedimento das mediações com cada empresa.

*Com informações da CUT e TVT.

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