Milhares de brasileiros foram às ruas nesta segunda-feira em defesa da democracia

Manifestações ocorreram em diversas cidades em resposta aos atos terroristas promovidos em Brasília no domingo, 8, por bolsonaristas

Em Porto Alegre, concentração ocorreu na Esquina Democrática, Centro Histórico

Foto: Igor Sperotto

Com faixas e cartazes, manifestantes repudiaram as invasões e depredações do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, cobraram punição aos terroristas e seus financiadores e pediram que não seja dada anistia aos golpistas.

Críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL/RJ), acusado de ser o inspirador das ações terroristas, também marcaram os atos desta segunda-feira.

As manifestações aconteceram praticamente em paralelo à reunião histórica promovida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com governadores e chefes dos Poderes Legislativo e Judiciário.

Organizado em tempo recorde pelos movimentos sociais e sindical e entidades que integram as Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, o movimento é uma forte demonstração de apoio ao presidente Lula, que decretou intervenção federal na segurança pública do Distrito Federal (DF). Até o fechamento dessa matéria foram confirmadas manifestações em 19 capitais e em torno de 60 cidades.

Paulista lotada em defesa da democracia

Ato na capital paulista contou com escola de samba e integrantes de torcidas de futebol

Foto: Marcelo Menna Barreto

Em São Paulo, pelo menos seis quarteirões da Avenida Paulista foram tomados nos dois sentidos por manifestantes. A concentração ocorreu na frente do Museu de Artes de São Paulo (Masp), no final da tarde, seguida de marcha em direção a região central da cidade.

A mobilização na Avenida Paulista contou com a participação de integrantes da Gaviões da Fiel, do Corinthians, da Mancha Alviverde, do Palmeiras, da Dragões da Real, do São Paulo, e da Torcida Jovem, do Santos. Uma bateria do Arrastão dos Blocos, grupo autointitulado “(des)organização que une os blocos de carnaval de rua da capital paulista para ocupar a cidade contra o genocídio e a necropolítica” animou o encontro.

A Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) reuniu mais de 800 pessoas em protesto aos ataques golpistas. Na ocasião, o reitor da Universidade Carlos Gilberto Carlotti se manifestou pela não anistia e foi aplaudido em pé.

Em Porto Alegre, milhares de estudantes e trabalhadores fizeram uma caminhada do centro da capital ao Largo Zumbi dos Palmares. Torcedores dos dois times da cidade, o Grêmio e o Internacional, também participaram.

“Esses terroristas, golpistas bolsonaristas são o que tem de mais baixo e rasteiro na política brasileira e mundial. Tentaram um golpe e, como não conseguiram, fizeram aquele ataque às instituições democráticas”, afirmou o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (CUT/RS), Amarildo Cenci. “Queremos a responsabilização desses criminosos”.

Os cariocas protestaram sob chuva em frente à Câmara de Vereadores, na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro.

Manifestantes lotam a praça da Cinelândia em defesa da democracia após atos golpistas em Brasília

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Governadores de 27 estados se reúnem com Lula

Enquanto o povo estava na rua, o presidente Lula conseguiu realizar um ato que há muitos anos não ocorria.

Em Brasília, 27 governadores, vice-governadores ou representantes dos Executivos estaduais do país se fizeram presentes para prestar solidariedade ao chefe do Executivo e dos demais poderes.

Na reunião, até mesmo aliados do ex-presidente Bolsonaro defenderam a democracia e o diálogo para evitar que novos atos terroristas sejam promovidos no país por pessoas que não aceitam a vitória de Lula nas últimas eleições presidenciais em outubro passado.

Somente não participaram governadores que estavam no exterior ou haviam passado por procedimentos cirúrgicos.

Entre os que apoiaram o ex-presidente na sua tentativa frustrada de reeleição estiveram, Tarcísio de Freitas (São Paulo), Cláudio Castro, (Rio de Janeiro), Ratinho Júnior (Paraná), Jorginho Mello (Santa Catarina) e Romeu Zema (Minas Gerais). No lugar do governador Ibaneis Rocha, afastado ontem por determinação do ministro Alexandre de Moraes, o DF foi representado pela vice-governadora Celina Leão.

Tanto Ratinho Júnior quanto Tarcísio de Freitas chegaram a anunciar que não iriam no encontro, mas voltaram atrás.

“Essa reunião de hoje significa que a democracia brasileira, depois dos episódios de ontem vai se tornar ainda mais forte”, afirmou Tarcísio.

Mais fotos da manifestação em Porto Alegre

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