Como promover justiça tributária e arrecadar R$ 300 bilhões

Campanha cobra do Congresso a votação de medidas emergenciais para tributar super-ricos e tirar o país da crise
Propostas legislativas discutidas no debate serão protocoladas na Câmara dos Deputados na forma de projetos de lei

Propostas legislativas discutidas no debate serão protocoladas na Câmara dos Deputados na forma de projetos de lei

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O Instituto Justiça Fiscal (IJF), em conjunto com diversas outras entidades, lança nesta quinta-feira, 29, às 10h, a campanha nacional Tributar os mais ricos para cobrar do Congresso a aprovação de medidas tributárias emergenciais com vistas a enfrentar a grave crise enfrentada pelo país e aprofundada na pandemia.

Uma live marcará o início da campanha com a participação de representantes dos movimentos sociais, entre os quais Alexandre Conceição (MST), Bianca Borges (UNE), Juvandia Moreira (Contraf/CUT), Rosilene Corrêa (CNTE), Rud Rafael (MTST), Sandro Cezar (CNTSS), Vilani Oliveira (Confetam).

A campanha pode ser acompanhada e compartilhada nas mídias digitais: Instagram, Facebook e Twitter.

"Tributar os super-ricos é a forma mais rápida e justa para enfrentarmos e passar por essa crise", afirma Dão Real, do IJF

“Tributar os super-ricos é a forma mais rápida e justa para enfrentarmos e passar por essa crise”, afirma Dão Real, do IJF

Foto: Semge/ Reprodução

Serão apresentadas e debatidas oito propostas legislativas que podem promover um aumento de arrecadação de quase R$ 300 bilhões, tributando apenas as altas rendas e grandes patrimônios dos 0,3% mais ricos do Brasil.

As propostas geram também redução de impostos para os mais pobres e pequenas empresas, e ainda melhora a repartição de recursos com os estados e municípios. Além de serem medidas estratégicas para sair da crise, as iniciativas solucionam problemas históricos de justiça fiscal no Brasil.

“Vivemos um momento extremamente grave. A pandemia já matou mais de 150 mil pessoas. Milhares de trabalhadores perdem seus empregos. Pequenas empresas passam por sérias dificuldades. O momento exige medidas emergenciais. Tributar os super-ricos é a forma mais rápida e justa para enfrentarmos e passar por essa crise”, ressalta o vice-presidente do IJF, Dão Real Pereira dos Santos.

Impactos positivos

Uma cartilha ilustrada e uma calculadora on-line que podem ser acessadas no site da entidade demonstram os impactos positivos das ações na vida dos trabalhadores após a implementação das medidas.

“Mais de 50 organizações integram esse início de campanha e outras dezenas estão se somando ao movimento para garantir a aprovação e adotar medidas de curto e médio prazo para fortalecer o Estado, enfrentar a pandemia, garantir renda para os mais pobres e retomar a atividade econômica”, explica o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Mario Raia.

Cenci, da CUT-RS: cobrar impostos dos mais ricos e reduzir a carga tributária sobre o trabalho

Cenci, da CUT-RS: cobrar impostos dos mais ricos e reduzir a carga tributária sobre o trabalho

Foto: CUT-RS/ Divulgação

“O déficit fiscal do Brasil é um problema de gasto público e de não arrecadação de quem pode pagar imposto. Basta tributar de forma justa os 10% da população de maior poder aquisitivo que não paga impostos e não será necessário fazer reforma tributária”, aponta Amarildo Cenci, presidente da CUT-RS.

De abril a junho de 2020, quase 9 milhões de pessoas perderam seus postos de atividade profissional e o desemprego superou os 13%. O rendimento do trabalho encolheu 5,6%, representando perda de R$ 12 bilhões em circulação na economia. Os pequenos negócios estão quebrando em consequência da redução do consumo de bens e serviços, pontuam o organizadores.

O lançamento da campanha inclui uma intensa divulgação dos projetos de lei junto aos movimentos sociais, sindicatos, estudantes, agricultores, pequenos empresários e classe política, com debates, entrevistas e reuniões com parlamentares, governadores e prefeitos para incluir o tema na pauta do Congresso. “As entidades promotoras desta força nacional já estão realizando ações para assegurar a adoção das propostas e popularização das medidas”, destaca Santos.

Propostas para corrigir distorções e aumentar a arrecadação

As propostas serão protocoladas na Câmara dos Deputados e algumas já serviram como subsídio para emendas de deputados da oposição. Elas propõem a taxação de grandes fortunas, aumento da contribuição social sobre o lucro líquido do sistema financeiro e da mineração e mudanças na tributação de heranças, revogação de isenções fiscais, elevação do limite de isenção para os mais pobres e melhor distribuição de receitas da União para os estados e municípios, entre outras medidas:

  • Correção das distorções do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) – revogação da isenção dos lucros e dividendos distribuídos, fim da dedução de juros sobre o capital próprio, elevação do limite de isenção para baixas rendas, e criação de nova tabela de alíquotas progressivas.
  • Instituição do Imposto Sobre Grandes Fortunas (IGF) sobre as riquezas das pessoas físicas que ultrapassarem R$ 10 milhões.
  • Elevação da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos setores financeiro e extrativo mineral.
  • Criação da Contribuição sobre Altas Rendas das Pessoas Físicas (CSAR), incidindo sobre rendas anuais acima de R$ 720 mil.
  • Mudança nas regras do Imposto sobre Heranças e Doações (ITCMD), com ampliação da alíquota máxima de 8% para 30%.
  • Novas regras de repartição de receitas da União com Estados e Municípios. A previsão é de acréscimos de aproximadamente R$ 83 bilhões para os estados e R$ 54 bilhões para os municípios.
  • Regras para disciplinar a concessão de benefícios fiscais e para combater a sonegação.

Comentários