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Nº 127 | Ano 13 | Set 2008
EDUCAÇÃO

Da Redação

O vazamento de informações sobre a suposta venda do Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter) para o grupo Anhanguera, de São Paulo, provocou a mobilização de alunos e professores dos dois campi da instituição, em Canoas e Porto Alegre, durante o mês de agosto. A direção do UniRitter divulgou notas contraditórias, primeiro negando a venda, depois admitindo que organizações estariam interessadas em incorporar o Centro Universitário. Segundo a reitoria, a instituição deve sair do controle familiar para um modelo de gestão mais moderno para se manter no mercado. No dia 23 de agosto, o Sindicato dos Professores do Ensino Privado (Sinpro/RS) realizou, na sua Sede estadual em Porto Alegre, uma reunião com os professores do UniRitter para avaliar a situação.

Depois de ouvir os relatos dos professores, o Sinpro/RS manifestou, em nota pública, a preocupação com o padrão de qualidade do ensino na instituição, que estaria em jogo com a negociação, e alertou a sociedade sobre a ameaça que a transação representaria para a autonomia e identidade dos cursos, a liberdade acadêmica, entre outras características do UniRitter. “O Sindicato dos Professores expressa seu estranhamento e contrariedade com a perspectiva de transferência da bem-sucedida experiência do UniRitter para uma proposta educacional pautada exclusivamente pelo lucro”, diz a nota distribuída aos meios de comunicação e publicada como apedido no jornal Zero Hora.

“O Centro Universitário é mantido por um ente jurídico sem fins lucrativos, beneficiado por isenções fiscais revertidas em invejável patrimônio físico e acadêmico ao longo de 37 anos, agora potencial objeto de simples transação comercial”, alerta Cecília Farias, diretora do Sinpro/RS.

O Sindicato constituiu um grupo de trabalho formado por diretores e advogados da área tributária para fazer o acompanhamento técnico do processo. Estão agendadas para a primeira quinzena de setembro uma reunião do Sinpro/RS com a reitoria do UniRitter e uma audiência com o Ministério Público Federal.

EXPANSÃO – Fundado em 1994, o grupo paulista Anhanguera Educacional tem 49 unidades em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Seu modelo educacional é focado no lucro, com aumento do número de alunos em sala de aula e projeto pedagógico padronizado. No primeiro semestre deste ano, a empresa faturou R$ 293,3 milhões.

Como estratégia para atingir esse crescimento, a Anhanguera abriu suas ações na Bolsa de Valores em março de 2007, conforme informações amplamente divulgadas e que constam da sua página na internet. Em duas ofertas de ações a investidores, o grupo arrecadou nada menos que R$ 860 milhões para aquisição de mais 30 universidades.

Duas instituições compradas pelo grupo Anhanguera são gaúchas, as Faculdades Atlântico Sul (em Pelotas e Rio Grande) e a Faplan, em Passo Fundo. O valor da transação teria ultrapassado R$ 47 milhões. Agora o grupo projeta um investimento de R$ 10 milhões para aumentar de seis para 18 o número de cursos presenciais disponibilizados nas duas unidades gaúchas. Em junho, o grupo Anhanguera convocou seus professores que atuam no estado para uma reunião em Porto Alegre. Na ocasião, anunciou que planeja, em curto prazo, estabelecer na capital gaúcha e na Região Metropolitana novas unidades através da aquisição e construção de novos campi.

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