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Nº 183 | Ano 19 | Mai 2014
ENSINO PRIVADO
DEMISSÕES

Região Metropolitana registra maior índice de pedidos

Foto: Carlos Carvalho/Sinpro/RS

Foto: Carlos Carvalho/Sinpro/RS

De 1º de dezembro de 2013 a 10 de abril deste ano, o Sinpro/RS registrou 3.022 rescisões de contratos de trabalho de professores em todos os níveis do ensino privado. Desse total, 30% foram pedidos de demissão. Na comparação com o mesmo período de 2012/2013, houve um aumento no total de rescisões na região Metropolitana de Porto Alegre de 1.178 para 1.251 e também cresceu o número de professores que deixaram as instituições por iniciativa própria: de 413 para 435. Os dados são parciais, já que as rescisões prosseguiram após o fechamento desta edição.

De acordo com o diretor do Sinpro/RS, Sani Cardon, chama a atenção o grande número de desligamentos também nas Regionais São Leopoldo (com 515 rescisões, sendo 211 pedidos) e Passo Fundo (101 pedidos de um total de 232 rescisões). Em relação ao período anterior, houve um crescimento significativo de desligamentos nas instituições de ensino abrangidas pela Regional São Leopoldo, de 278 para 515 rescisões e de 86 para 211 pedidos de demissão. Também é considerada atípica a alta incidência de rescisões na educação infantil e no ensino superior, respectivamente 715 e 774. Somente na região Metropolitana foram 379 rescisões na educação infantil e 245 na superior. “O Sinpro/RS está orientando os professores a contatarem a sua assessoria jurídica caso entendam que houve irregularidade durante o período de vigência do seu contrato de trabalho.

Na região Metropolitana, onde é verificado o maior número de demissões em todo o estado, o Sindicato também oferece atendimento psicológico”, explica o diretor do Sindicato. Os contatos da Assessoria jurídica do Sindicato podem ser acessados em www.sinprors.org.br/jur. Segundo a psicóloga e doutora em Educação Márcia Vitorello, do Núcleo de Apoio ao Professor Contra a Violência (NAP), do Sinpro/RS, o impacto da demissão em cada professor depende da sua história de vida e da forma como a instituição conduziu o processo de desligamento. “O sofrimento psíquico está presente em muitos casos e não está apenas relacionado à perda do posto de trabalho, mas ao lugar que o professor ocupava na instituição. Há casos em que ele é homenageado num dia e demitido no outro”.

MOTIVAÇÃO– A busca de novas oportunidades ou especializações, aprovação em concurso público e frustração em relação ao exercício da docência explicam boa parte dos pedidos de demissão. De acordo com a psicóloga do NAP, a maioria dos professores se demite para migrar para o setor público. “A opção pelo concurso busca a estabilidade funcional que a rede privada não oferece e há certo desencanto com a profissão”, explica Márcia. O professor de Geografia Econômica Luciano Fernandes, 39 anos, 18 de magistério, conta que teve que optar pela exclusividade ao ser contemplado com uma bolsa Capes de doutorado em Educação. “Nenhuma queixa em relação à instituição”, esclarece.

Já Andréia Oliveira, 20 anos de docência na educação infantil, disse que resolveu se demitir da instituição na qual lecionava havia quatro anos por irregularidades nas obrigações trabalhistas, trocas constantes de coordenação, abuso de poder, desrespeito e interferência no trabalho do professor. Professora de língua inglesa por três anos na UPF, Danielly Batistella conta que foi contemplada com uma bolsa para fazer seu segundo doutorado, na
Universidade de Kyoto, no Japão, para onde mudou-se no início de abril. Graduada em Comunicação, com pós e mestrado em Administração e Marketing, Luciana Hoppe resolveu se demitir de uma IES da Grande Porto Alegre por se sentir desvalorizada e desrespeitada. “Mesmo tendo sido homenageada da turma de formandos, ter publicado artigos e organizado um livro, ter participado da gestão, organizado planejamento estratégico e de marketing, minhas horas foram sistematicamente diminuídas.

Aliás, as horas de gestão eram maldimensionadas, gerando sobrecarga de trabalho. No último semestre ministrei uma disciplina em EaD de 60 horas e só recebi 16 o semestre todo. Também fui deliberadamente questionada por ter reprovado um aluno que plagiou um trabalho…”, relata.

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