Estudantes e sindicalistas protestam contra alta dos juros

Centrais sindicais e movimento estudantil fizeram passeata seguida de protesto em frente à sede do Banco Central, em Porto Alegre. Foram realizados atos em todo o país
Estudantes e sindicalistas protestam contra alta dos juros

Centrais sindicais e estudantes se uniram para para a realização do ato contra os juros altos

Foto: Matheus Piccini/ CUT-RS

Na manhã desta terça-feira, 18, a CUT/RS, as centrais sindicais e estudantes se uniram para realizar um grande ato contra os juros altos e o aumento da passagem de ônibus em Porto Alegre. Os manifestantes saíram do Colégio Estadual Júlio de Castilhos (o Julinho), seguiram pela Avenida João Pessoa em direção às principais ruas do Centro Histórico até chegar ao escritório do Banco Central (BC), na Rua 7 de setembro, onde foi realizado um ato público.

A previsão do mercado financeiro é que na reunião do Copom iniciada nesta terça-feira anuncie até a quarta-feira, 19, nova alta de juros, que deve chegar a 14,25%. “Nós vamos continuar essa luta, apesar da previsão do Banco Central aumentar mais um ponto percentual a taxa Selic”, afirma Amarildo Cenci, diretor do Sinpro/RS e presidente da CUT-RS. Atualmente, a taxa Selic está em 13,25% e com o novo aumento chegará ao maior patamar desde 2016.

“Com este aumento na taxa, o mercado financeiro tira dinheiro do orçamento da União e dificulta a proposição e até o trâmite da pauta do IR no Congresso. É claro que o mercado pressiona para recolher dinheiro do assalariado e, assim, poder rentabilizar os acionistas, os especuladores, os rentistas. Isso é um absurdo. Isso é inaceitável, isso literalmente é transferência de dinheiro público para o bolso de especuladores”, acrescenta.

Estudantes e sindicalistas protestam contra alta dos juros

Estudantes e sindicalistas saíram do Colégio Estadual Júlio de Castilhos (o Julinho), seguiram pela Avenida João Pessoa em direção às principais ruas do Centro Histórico até chegar ao escritório do Banco Central (BC)

Foto: Matheus Piccini/ CUT-RS

Movimento nacional

Sob mote do Dia Nacional de Mobilização Menos Juros, Mais Empregos, manifestações semelhantes foram realizadas em diversas capitais do país com representantes da CUT, CSB, CTB, Força Sindical, UGT e NTST em conjunto com outros movimentos sociais.

Um grande ato foi realizado em São Paulo, na Avenida Paulista nº 1804, onde fica o prédio do BC. O presidente da CUT Sergio Nobre ressaltou a importância da participação, não somente da classe trabalhadora, mas da população em geral nos atos, porque os juros altos tiram recursos financeiros da produção e vão para a especulação.

“Nenhuma empresa, de nenhum porte, de grande a pequena, consegue um ganho real de 10%, como ganha quem investe em papéis que remuneram de acordo com a taxa Selic. Isso faz com que o dinheiro não vá para investimentos e para a construção de novas fábricas e empresas que gerem empregos e façam a economia crescer, o dinheiro circular e chegar às mãos do trabalhador”, sublinha.

Estudantes e sindicalistas protestam contra alta dos juros

Em São Paulo, o protesto se concentrou na Avenida Paulista

Foto: Jaélcio Santana/Sindicato dos metalúrgicos

A vice-presidenta da CUT e presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Juvandia Moreira, ressalta que o mercado financeiro faz muita pressão para manter os juros altos sobre o Banco Central, além de ter  aliados na imprensa, que divulga esses interesses.  “É importante que o povo brasileiro se mobilize para cobrar a redução dos juros e, que a sociedade exija essa redução no dia 18”, explica.

Desde que o Banco Central se tornou independente, em fevereiro de 2021, durante o governo de  Jair Bolsonaro (PL),  a taxa de juros do país passou a ser utilizada como forma de pressionar o governo federal a manter suas contas dentro do arcabouço fiscal, impedindo investimentos e o crescimento de benefícios sociais.

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