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Feminicídio: ato em Porto Alegre, em dezembro de 2025. Na foto, performance com a instalação de inúmeros pares de sapatos, conduzida pela atuadora Tânia Farias, da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, diante do Palácio Piratini e na Praça da Matriz
Foto: Cris Leite/Divulgação
A partir das experiências de psicanalistas e de suas práticas clínicas, os profissionais denunciam a dimensão política de um projeto de invalidação e de extermínio de mulheres, evidenciado na escalada de feminicídios nos últimos anos. Entre 2015 e 2025, o feminicídio cresceu 190% no Brasil e acumulou 13.474 vítimas.
O objetivo do manifesto é convocar a comunidade psicanalítica como um todo a tomar posição, e, também, formas de intervenções que possam subverter a lógica de retrocesso do lugar das mulheres na sociedade.
Fundamentando tanto do ponto de vista da história da psicanálise quanto da história do projeto capitalista e colonizador, o manifesto coloca pontos em tensão. Por exemplo, desde a caça às bruxas, no Renascimento, já um projeto do capitalismo rural nascente, até os nossos dias, uma verdadeira guerra mundial contra as mulheres vem se organizando.
Enfatizando que as mulheres negras são, nesta guerra, em nosso país, 68% das mulheres violentadas e 62,6% dos feminicídios, os psicanalistas consideram que isso corrobora a ideia do projeto de extermínio e de recolonização capitalista contemporânea.
Assim, convidam e convocam a comunidade psicanalítica a tomar posição de subversão, a mesma que Freud tomou quando decidiu parar para escutar mulheres. E suas primeiras pacientes, suas Ariadnes que lhe deram o fio de acesso ao inconsciente, eram mulheres que haviam sofrido violências sexuais.
Então, que as Ariadnes de hoje continuem levando os psicanalistas a tomarem posição ética e política, pois não existe clínica psicanalítica dissociada do laço social e da dimensão política do inconsciente.
O coletivo é formado pelas seguintes associações e profissionais: Projeto Gradiva – Clínica psicanalítica para mulheres em situação de violência, a psicanalista Sandra Torossian do Centro de Proteção e Acolhimento a Mulheres – Cepam – Ufrgs, o coletivo da Clínica Feminista Antirracista Interseccional – CliFAI – Ufrgs, a psicóloga Neuziane Ule de Souza do Instituto Espaço Barca Aberta – IEBA, a psicanalista Emília Estivalet Broide da SUR Psicanálise e Intervenção Social, Grupo de estudos, pesquisas e escritas feministas – GEPEF, a psicanalista Sara Wagner York da Escola Psicanalítica da Escuta Perifherica – EPEP/CPAPEC – Coletivo de pesquisa Ativista, Psicanálise, Educação e Cultura, a psicanalista Maria Cristina Poli, coordenadora do Coletivo Intervenção – UFRJ, a psicanalista e ensaísta Tania Rivera, a psicanalista, professora da Universidade de Buenos Aires e co-coordenadora do Foro de Psicoanálisis y Género APBA Debora Tajer e Thamy Ayouch, psicanalista e professor na Universidade Paris–Cité (Paris/FR).
As inscrições para o lançamento do manifesto podem ser efetuadas via Sympla gratuitamente.