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O Doutor Marianinho da Rocha e os ataques às universidades federais
Os militares que deram o golpe teriam trancado o desenvolvimento dos gaúchos? É uma tese…
Há 30 anos, em outubro de 67, na Bolívia, faleceu Che Guevara, grande líder revolucionário que, com muita coragem, se opôs às grandes injustiças que se abatiam sobre o povo latino-americano e trabalhou para a construção de uma sociedade justa e solidária.
Recentemente, em agosto, tive a oportunidade de conhecer Cuba e pude compreender com mais intensidade o significado da figura de Che para o povo Cubano. Participei, em Havana, ao lado de mais de 300 sindicalistas brasileiros do Encontro Internacional dos Trabalhadores frente ao Neoliberalismo e à Globalização. Representei a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee), no encontro que reuniu mais de 1.200 trabalhadores de 453 organizações sindicais, políticas e acadêmicas de 63 países, inclusive a Central Única dos Trabalhadores (CUT).
Tratou-se de um grande ato condenatório do neoliberalismo, modelo capitalista responsável pela concentração da riqueza nas mãos de minorias, desemprego crescente, privatizações de serviços públicos essenciais e de empresas estratégicas para a soberania das nações, aumento da ex-ploração do trabalho e da violência. Para impôr essa política excludente, em todo o mundo, os governos neoliberais golpeiam o movimento sindical e as organizações populares. O encontro condenou o Governo dos Estados Unidos “pelo criminoso bloqueio e pela guerra econômica, política e diplomática praticada contra o heróico povo cubano”, e conclamou “todas as forças progressistas do mundo a manifesta-rem, de todas as formas possíveis, sua solidariedade a Cuba”. Novo encontro internacional, com o mesmo caráter, será realizado em 1999, no Brasil.
Tive um impacto muito grande ao conhecer Cuba e seu povo. Impacto de quem sonha, há anos, com a sociedade socialista. De repente, me vi inserido num ambiente em que muitas pessoas lutam com todas as suas forças para manter o socialismo que conseguiram construir. Com muita fluência, os cubanos falam de política, de Che Guevara e de Fidel.
Cuba tem uma história marcada pela heróica luta de seu povo. Há anos o povo cubano resiste bravamente e alcança vitórias significativas. Grandes destaques foram a Guerra da Independência Nacional e a Revolução de 1959, um duro golpe para os interesses dos EUA. Desde então, as provocações e agressões americanas são constantes.
Até 1990, as relações com a antiga União Soviética e países do Leste Europeu amenizavam as conseqüências do bloqueio econômico americano. Com a queda das experiências socialistas, a situação cubana complicou-se. O estímulo ao turismo foi uma das principais saídas para manter-se a estabilidade. Mas junto com o turismo retornaram alguns problemas que a revolução tinha resolvido, inclusive a prostituição e o mercado paralelo.
Em Cuba, o povo não possui bens como os ricos brasileiros, mas também não passa fome, como parcela significativa da nossa população. Trata-se de uma sociedade em que há mais justiça e maior equilíbrio social. Não vejo a possibilidade de construir a felicidade humana num sistema político, social e econômico, cuja base é a exploração, como é o caso do capitalismo. Na minha opinião, a possibilidade de se construir uma sociedade justa e democrática está num sistema de qualidade superior, socialista. Por isso, a defesa da experiência socialista em Cuba é uma tarefa de todos nós, que almejamos uma nova sociedade.
* Augusto César Petta é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Contee) e diretor do Sindicato dos professores (Sinpro) em Campinas-SP.