Colunistas
Espantástico
O assombro sobre os ombros não pesa, não cheira, mas muitas e muitas vezes é…
E se houvesse um Instituto Brasileiro de Gazetas e Estadões? E se esse outro IBGE saísse a pesquisar como são feitos os jornais hoje em dia? Eu iria querer ser um dos trocentos pesquisadores? Que panorama da imprensa nacional viria à tona?
Ilustração: Rafael Sica
Hummm, agora me deixei curioso. Como não se sabe se algum dia haverá um órgão desses, recorro a outro órgão capaz dessa coleta imaginária: o célebro.
Com meus três neurônios ativos e altivos, não custa expor tipos do pior jornalismo em circulação. Pela sua anatomia funcional é até facinho imaginar suas características editoriais. Daí ao seu posicionamento, seus princípios antiéticos e seus fins lucrativos é um vapt-vupt. Por ex:
O Barrigudo, A Barrigada e O Barrigão: nestes vespertinos, cada redator da equipe encosta a pança no teclado dos computadores e assim empurram as pautas e as notícias para a área dos feiquinius.
O Cuzão e O Bundão imitam o trio acima, porém com o traseiro profissional. São os veículos do corpo mole, subservientes, movidos pela dinheirama do mercado.
Nas Coxas tem sua feitura como o nome sugere. Tão mal-feito que mal se lê. O que o sustenta é o seu público cativo, aquele que não quer nem saber de nada.
Já O Ombrudo é todo redigido com um dedicado dar de ombros para a realidade brasileira.
Pragueja, revista semanal que a cada edição reclama do Brasil não aceitar ser como ela quer que o país seja. Além de muito praguejar, exige que a nação seja submissa aos seus editoriais peçonhentos e autoritários.
O Rabo Preso não passa dum jornalão tradicional, e sua tradição é nunca denunciar, jamais criticar, não investigar coisa alguma. Nem precisa dizer que faz sucesso, mas digo.
Diário do Calcanhar de Aquiles, do mesmo grupo do seu co-irmão Rabo Preso. Concorre com a dupla Cuzão e Bundão. A diferença é que o diário defende e promove abertamente uma corrupção oficial, enquanto o Rabo Preso disfarça bem.
Folha Linguaruda. Entre tantos jornais ruins, se destaca por falar mal da esquerda e muito bem do Centrão e da extrema direita. Mesmo assim se diz neutro.
Embora só façam merda, O Visceral, O Intestinal e o Das Tripas não são associados, apenas convergem e competem no setor da desinformação de massa.
O Colunável é uma revista de e para invertebrados mentais. Sua especialidade é badalar os badaláveis, com explícita lambeção dos badalos dos poderosos e das elites.
A Joelhada exibe um ardiloso logotipo, com o artigo e o nome separados. Mas a verdade é que deve ser lido como Ajoelhada. Isso porque é editada na posição típica do puxa-saquismo de governantes da ocasião, de evangélicos, das autoridades, inclusive (ou sobretudo) dos milicos.
Ops! O meu censo para por aqui, meu senso não. Continuar com este IBGE (Instituto de Bobagens Gozativas Exclusivas) seria desserviço: destacar a pocilga jornalística que domina o cenário desinformativo tupiniquim é demais pro bom leitor.
Ainda bem que você tem uma baita exceção jornalística em mãos.
José Guaraci Fraga, o FRAGA, é cronista do Jornal Extra Classe.