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19/01/2017
MOVIMENTO
FÓRUM DAS RESISTÊNCIAS

Assembleia dos povos e movimentos propõe estratégias comuns de resistência

Por Stela Pastore

Assembleia dos povos e movimentos propõe estratégias comuns de resistência

Foto: Igor Sperotto

Foto: Igor Sperotto

Somar forças e encaminhar ações comuns para questões mundiais, nacionais e locais foi o objetivo da Assembleia dos Povos e Movimentos realizada no Auditório Araújo Vianna, na tarde desta quinta-feira, 19, no Fórum Social das Resistências, em Porto Alegre. Relatores das propostas das nove plenárias temáticas realizadas pela manhã, apresentaram os encaminhamentos. A utilização coletiva dos meios dos movimentos, fortalecimento das bandeiras comuns, a unidade na ação foram consensos nos debates de hoje, assim como a de que só a solidariedade é a energia de um outro mundo possível.

Democracia, reforma do sistema político e cidades sustentáveis, resistências urbanas, direitos humanos, povos do mundo, escola sem mordaça, defesa do serviço e servidores públicos, juventudes, mulheres, velhos e novos sistemas de resistência econômica, justiça climática, tribunal dos povos de matriz africana foram os conteúdos das plenárias.

Cada grupo respondeu a três questões:  contra o que e quem lutamos; que valores a luta oferece para outro mundo possível e agendas de ação para 2017. As propostas serão sistematizadas nesta sexta-feira e apresentadas na atividade final do Fórum, sábado, 21, no Parque da Redenção.

Neoliberalismo sequestra o futuro
“É preciso lutar contra o capitalismo neoliberal que coloca o lucro acima dos valores humanitários e o meio ambiente, raízes da desigualdade, do desemprego e que deixa com gerações sem futuro, com ascensão do extremismo de direita, e fascismo islâmico, disse o relator europeu Are Einari Björklund Skau. “A extrema direita incentiva o ódio e não a solidariedade, ameaçando a paz. Precisamos nos unir e lutar juntos globalmente”.

Assembleia dos povos e movimentos propõe estratégias comuns de resistência

Foto: Igor Sperotto

Foto: Igor Sperotto

Neste sentido, foi proposto o combate aos interesses do capital sobre a autonomia dos povos; a luta pela democratização da comunicação com o fortalecimento dos meios públicos e pela a autodeterminação dos povos, a recusa ao facismo, racismo, fundamentalismo religioso, ao ódio e a intolerância; e o fortalecimento da agenda feminista, com algumas agendas comuns mundiais, expressas por representantes da Europa, África, Estados Unidos e reforçadas por porta-vozes locais.

Radicalizar a democracia
Recompor a democracia no Brasil com eleições diretas ou anulação do golpe, combater a reforma da previdência e trabalhista, revogar a emenda 55 que congela investimentos sociais por 20 anos e a realização de uma greve geral foram demandas comuns de vários grupos sobre a pauta nacional. Coros de “Fora Temer” foram levantados em vários momentos da plenária. A retirada de direitos garantidos na Constituição de 88, a fragilização do SUS com retirada do financiamento foram sinalizados como questões fundamentais na resistência no país.

Evitar o retrocesso na reforma agrária, na demarcação das terras indígenas, debater a questão carcerária no âmbito dos direitos humanos e não da segurança, o empoderamento feminino e a descriminalização do aborto, mecanismos de proteção de ativistas perseguidos e movimentos sociais criminalizados, foram algumas questões colocadas por Tchenna Mazo, do Movimento dos Atingidos por Barragens, relatora da temática Direitos Humanos. A ausência do Poder Judiciário em questões centrais da cidadania no Brasil foi citada em diferentes manifestações. “O Judiciário está comprometido com o estado mínimo”, apontou um manifestante.

União de lutas
A situação do Rio Grande do Sul e da capital gaúcha teve vários apontamentos frente à redução de órgãos públicos pelos atuais governos, como a extinção de veículos da comunicação pública, da pesquisa e de órgãos ambientais. Gritos de “Fora Sartori” também ecoaram em diferentes momentos em que as pautas estaduais se colocavam.

No caso de Porto Alegre, foram destacadas a visão privatista da gestão recém empossada, com ações de extinção da Secretaria de Direitos Humanos e a tendência a atingir órgãos ambientais, de esporte e lazer, entre outros.

A redução de mecanismos de acesso ao ensino público de qualidade, a reforma do ensino médio, a retirada de conteúdos relativos à cidadania, tiveram destaque na temática Escola Sem Mordaça. A estudante Ana Júlia Ribeiro, conhecida por uma manifestação na Assembleia do Paraná durante as ocupações nas instituições de ensino em 2016, estava na plateia e ressaltou o valor de encontros que fortalecem as lutas de outros segmentos. “A troca de experiências é muito rica num fórum como esse. A união de lutas de grupos diferentes, fortalece a resistência nas lutas individuais e de segmentos específicos”, disse.

Metodologia e novas definições
A Assembleia de hoje se insere na nova dinâmica dos fóruns de fazer os principais encaminhamentos antes das atividades autogestionárias, como ocorria na metodologia em outras edições.

Nesta sexta-feira e sábado ocorrem mais de 50 atividades autogestionárias em espaços como as tendas abertas na Redenção, sedes de sindicatos e entidades. A reunião do Conselho Internacional, começa na manhã desta sexta-feita e fará encaminhamentos sobre as dinâmicas e localizações dos próximos fóruns.

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