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Foto: CPERS/Reprodução
Sexta-feira, 26 de junho, é dia de greve da educação estadual do Rio Grande do Sul, uma mobilização de profissionais da educação contra a política do governo Eduardo Leite (PSD) de leiloar na Bolsa de Valores de São Paulo a gestão da infraestrutura de 98 escolas estaduais por meio de Parcerias Público-Privadas (PPPs). O Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers) convoca protesto para às 10h, em frente ao Palácio Piratini, em Porto Alegre. O leilão das escolas foi transferido para o dia 23 de julho.
A greve estadual foi aprovada por unanimidade em assembleia geral de professores e funcionários de escolas, no último dia 18 de junho. Educadoras, estudantes e comunidade escolar devem aderir à paralisação, mantida para esta sexta-feira com o objetivo de pressionar o governo Leite e defender a autonomia da comunidade escolar frente à possibilidade de que acionistas decidam rumos da educação pública no estado.
Segundo o sindicato, o governo estadual pretende destinar mais de R$ 4,5 bilhões em recursos públicos para contratos privados ao longo de 25 anos. Para o Cpers, a proposta ameaça a autonomia das escolas, as condições de trabalho dos profissionais da educação e a gestão democrática do ensino público.
“O CPERS tem total contrariedade da entrega dessas 98 escolas, que em um primeiro momento o governo diz que é só estrutura, mas o que está em jogo é o lucro do mercado: R$ 4,5 bilhões, isso em 25 anos – são seis mandatos que vão passar nesse meio tempo. A gente precisa fazer esse debate porque se a gente for observar das 2.300 escolas, apenas 4% estão dentro desse patamar das 98 escolas. Quer dizer, o governo consegue criar um espaço de extrema desigualdade entre as escolas da rede estadual”, contextualiza a presidente do CPERS, Rosane Zan.
Nesta quinta, 25, representantes do sindicato participaram de audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e apresentaram estudos, dados técnicos e informações que questionam economia financeira para os cofres públicos com as PPPs pretendidas, discurso oficial dos representantes do Executivo na audiência.
“Se tem dinheiro para as parcerias público privadas, é sinal de que tem dinheiro para investir na manutenção e infraestrutura das escolas. Então nós queremos que o investimento público seja totalmente revertido para a educação pública, e não para o mercado financeiro”, reforçou a presidente ao Extra Classe.
É a campanha do Sindicato, que busca conscientizar a população sobre os impactos das PPPs na educação gaúcha. Para o CPERS, o leilão das PPPs não trata apenas da administração de prédios escolares, mas a disputa do modelo de educação que o Rio Grande do Sul terá nas próximas décadas.