Marcha do MST por reforma agrária e justiça social chega a Porto Alegre

Após sete dias de caminhada e quase 100 km percorridos, 400 agricultores pedem apoio às famílias atingidas pelas enchentes e orçamento para novos assentamentos no RS
Marcha do MST por reforma agrária justiça social chega à Porto Alegre

Por volta das 10h da manhã os manifestantes cruzaram a Ponte do Guaíba em direção à sede do Incra no centro de Porto Alegre

Foto: Paulo Roberto Silva/ALRS

A Marcha Estadual “Para o Brasil Alimentar, Reforma Agrária Popular”, organizada pelo MST no Rio Grande do Sul, chegou a Porto Alegre nesta segunda-feira, 28, e está no seu sétimo dia. Por volta das 10 horas da manhã a marcha cruzava a Ponte Getúlio Vargas (do Guaíba) em direção ao centro da capital em direção à sede do Instituto Nacional da Reforma Agrária (Incra), na Av. Loureiro da Silva, 515, Centro da capital, onde ocorre um ato público.

Cerca de 400 acampados e assentados Sem Terra marcharam quase 100 km entre São Jerônimo e a capital, com bandeiras vermelhas, faixas pretas e cantos de luta.

O MST cobra do governo estadual e do governo federal avanços concretos na política de Reforma Agrária. A principal reivindicação é a destinação de terras improdutivas para novos assentamentos.

Ao governo de Eduardo Leite (PSDB), o Movimento pede a indicação de áreas desocupadas, como o antigo horto florestal da CEEE, em Triunfo. A área foi ocupada no dia 10 de abril e desocupada após negociações com a Brigada Militar e o governo do Estado.

Já para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o MST exige aumento do orçamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Rio Grande do Sul. A meta é garantir recursos para a compra de terras ainda em 2025.

Entre as principais reivindicações, está a desapropriação de áreas improdutivas, como a antiga Usina de Beneficiamento de Postes e Horto Florestal Renner da CEEE-D, em Triunfo. O terreno de 1,7 mil hectares foi ocupado no dia 10 de abril, na Jornada Nacional de Lutas.

Após forte repressão da Brigada Militar, o MST e as famílias negociaram a saída do local em troca de uma audiência com secretários do governo estadual. A área, usada para plantio de eucalipto, está abandonada.

O MST também cobra aumento no orçamento do Incra para compra de terras e criação de assentamentos no estado ainda em 2025.

A dirigente estadual Carla Camila Marques convocou a militância para o ato final da marcha. “Estamos indo rumo a Porto Alegre para cobrar do governo uma medida que ele nos prometeu, que é a terra, e também para as famílias atingidas pela enchente”, afirmou. “Convocamos toda a militância a se somar à marcha no dia 24. Vai ser muito lindo. Juntem-se conosco. Vamos reivindicar nossa pauta por assentamento, educação e saúde.”

O Movimento já havia sido recebido no início do mês, após a ocupação em Triunfo, e tem nova reunião marcada para o dia 30, com o secretário-chefe da Casa Civil, Artur Lemos.

Marcha do MST por reforma agrária justiça social chega à Porto Alegre

Cerca de 400 acampados e assentados Sem Terra marcharam quase 100 km entre São Jerônimo e a capital

Foto: Rafa Dotti/BDF

Na reunião anterior, a secretária de Planejamento, Governança e Gestão, Danielle Calazans, informou que a área ocupada não poderia ser usada para assentamento. Um laudo técnico da Fepam apontou contaminação no solo e na água subterrânea. A secretária prometeu solicitar nova avaliação e buscar outras áreas disponíveis.

A marcha faz parte da tradição histórica do MST no estado e no país, com edições marcantes em 2014 e 2017. Este ano, além da luta por terra, o Movimento exige políticas públicas para famílias atingidas pelas enchentes.

“Com seus pés no barro e o horizonte voltado para a justiça social, o MST reafirma sua luta por um modelo de produção agrícola sustentável, voltado à soberania alimentar e ao bem viver no campo”, reforçou Marques.

Comentários