Ato inter-religioso em Porto Alegre inicia movimento nacional por justiça climática

Vigília em defesa da terra marca o primeiro ano da enchente e propõe aliança entre fé e ativismo ambiental para enfrentar a crise climática
Ato interreligioso em Porto Alegre inicia movimento nacional por justiça climática

O movimento Vigílias pela Terra realiza atos em diversas regiões que culminarão com uma vigília multirreligiosa na COP-30, em novembro, em Manaus. Em março, a Arquidiocese de Manaus promoveu a Pré-COP (foto) que mobilizou regionais em torno da emergência climática

Foto: Arquidiocese de Manaus/ Divulgação

O movimento Vigílias pela Terra rumo à COP 30, iniciativa do Instituto de Estudos da Religião (Iser), que terá ações em diversas regiões do país até novembro começa neste sábado, 17, em Porto Alegre com a realização de ato inter-religioso pelo Bioma Pampa, em memória de 1 ano da enchente.

A mobilização ocorre a partir das 15h, na Orla do Guaíba, proximidades da Usina do Gasômetro. A Vigília pela Terra reúne lideranças espirituais, movimentos sociais, coletivos, comunidades e demais ativistas da justiça climática com a proposta de articular diversas ações frente à crise climática. Os atos serão realizados em todo o país e culminarão em uma grande vigília multirreligiosa durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP 30), que será realizada de 10 a 21 de novembro em Belém, no Pará, no espaço do Tapiri Ecumênico e Inter-religioso COP 30.

Durante o evento em Porto Alegre, estão previstas falas de lideranças religiosas, intervenções artísticas, homenagem às vítimas da enchente que atingiu o estado em 2024, um cortejo pela Orla e uma meditação coletiva ao pôr do sol. A vigília também marca um ano das tragédias climáticas que impactaram o estado.

A ação é organizada em parceria com o Fórum Inter-religioso e Ecumênico do Rio Grande do Sul (Fire), a Fundação Luterana de Diaconia, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), o Zen Budismo do Vale dos Sinos, o Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB), a Visão Mundial, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, o Conselho Estadual do Povo de Terreiro do RS, o Youth Action Hub, o Global Shapers POA, o Comitê de Povos e Comunidades Tradicionais dos Pampas, o Coletivo Abrigo, entre outras entidades.

A iniciativa remonta à experiência de 1992, quando o ISER organizou a vigília inter-religiosa “Um Novo Dia para a Terra” durante a ECO-92, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Na ocasião, cerca de 30 mil pessoas e 300 lideranças de 25 tradições religiosas participaram do encontro, que deu origem ao Movimento Inter-Religioso (MIR-RJ) e ao documentário Uma Noite Pela Terra, dirigido por João Moreira Salles.

“Em 1992, a vigília foi um diferencial político e espiritual na luta ambiental. Mais de três décadas depois, as tradições religiosas podem oferecer um despertamento ético crucial para que os tomadores de decisão assumam metas ousadas e eficazes para interromper o avanço da crise climática”, afirma Clemir Fernandes, diretor adjunto do Iser.

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