Porto Alegre tem 16 mortes causadas por dengue em 2025

Seis investigações estão em andamento na Diretoria de Vigilância em Saúde, 16 óbitos foram confirmados e sete decorreram de outras causas
Porto Alegre tem 16 mortes causadas por dengue em 2025

Além do aumento dos casos de dengue com mortes na capital, RS registra maior número de internações por gripe (influenza) em pacientes que se negam a ser vacinados

Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O número de mortes causadas pela dengue entre pessoas residentes em Porto Alegre subiu para 16. Nesta terça-feira, 3, a Diretoria de Vigilância em Saúde confirmou quatro mortes pela doença, sendo três homens e uma mulher. As quatro pessoas tinham comorbidades.

A vítima feminina faleceu aos 68 anos em 23 de abril e o início de sintomas ocorreu em 19 de abril. Ela residia no bairro Vila Jardim. Os homens tinham respectivamente, 73, 49 e 73 anos. Os óbitos aconteceram em maio, nos dias 14, 19 e 23. O início de sintomas foi, respectivamente, nos dias 9, 12 e 18 de maio. Os bairros de residência das vítimas eram Sarandi, Santa Rosa de Lima e Santa Tereza.

Até a sexta-feira, 29, investigações de mortes ocorridos em 2025 foram abertas na vigilância epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre. Seis investigações estão em andamento na Diretoria de Vigilância em Saúde, 16 óbitos foram confirmados e sete óbitos decorreram de outras causas.

Ainda nesta terça-feira a Diretoria de Vigilância em Saúde divulgará dados atualizados da dengue em Porto Alegre.

Nas últimas 24 horas, as emergências dos hospitais públicos e das unidades de pronto atencimento da capital gaúcha registram lotação acima do dobro da capacidade de atendimento em virtude do aumento das doenças respiratórias associadas ao frio. Na segunda-feira, o Complexo Santa Casa teve ocupação de 268% e restringiu o atendimento. O Hospital de Clínicas de Porto Alegre estava com o dobro da sua lotação máxima.

RS tem recorde de casos de Influenza

O Rio Grande do Sul registrou em maio o maior número de hospitalizações por gripe (influenza) nos últimos anos. Dados da Secretaria Estadual da Saúde (SES) apontam mais de 400 internações nas duas primeiras semanas do mês, evidenciando um cenário de alerta, especialmente para os grupos mais vulneráveis à doença: crianças, idosos, gestantes e pessoas com comorbidades.

O alto índice de infecção está associado ao negacionismo em relação às vacinas: a cada cinco pessoas que internaram por problemas respiratórios em decorrência da gripe, quatro não eram vacinadas contra a influenza.

A baixa adesão à campanha de vacinação contra a gripe é um sinal de preocupação para médicos e autoridades de saúde. A cobertura vacinal entre crianças de seis meses a menores de seis anos está em apenas 24,6%, e entre os idosos chega a 43%. Outro grupo prioritário são as gestantes, com 20,7% de cobertura até o momento.

A média geral dos grupos no Estado é de 38,2%, superior à nacional (32,4%), porém ainda distante da meta de 90%. Em números absolutos, isso representa mais de 1,8 milhão de pessoas não vacinadas entre esses três públicos no RS neste momento.

Os dados das hospitalizações deixam clara a importância da imunização. Em 2024, 82% das pessoas internadas por gripe no Rio Grande do Sul não estavam vacinadas. O impacto é ainda mais expressivo entre os públicos prioritários: entre as crianças menores de seis anos hospitalizadas, 90% não haviam recebido a vacina. Entre os idosos, 73% não estavam imunizados. No grupo de 6 a 59 anos, no qual as pessoas com comorbidades devem também se vacinar, esse percentual sobe para 91% de não vacinados.

Entre os casos que evoluíram para óbito, o panorama é similar: 77,5% das 288 mortes por influenza em 2024 foram entre pessoas sem vacina. No grupo das crianças até cinco anos, inclusive não houve óbitos entre vacinados. Na população de 6 a 59 anos, 93% foram entre não vacinados, enquanto nos idosos esse índice ficou em 72%.

Assim como neste ano, 2024 também registrou coberturas vacinais abaixo da meta: 55,5% em crianças, 52,5% em idosos, 36,6% em gestantes e 52,6% na média dos grupos prioritários.

Por que vacinar todos os anos?

Desde o dia 15 de maio, a vacinação foi ampliada para toda a população acima de seis meses de idade, ressalta a SES/RS. Ainda assim, a orientação é para que os municípios mantenham o foco na proteção dos grupos prioritários, que são os mais suscetíveis às complicações da doença.

Conforme destaca a diretora do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), Tani Ranieri, “é fundamental priorizar idosos, crianças, gestantes e pessoas com comorbidades, pois são esses os grupos com maior risco de agravamento e que mais têm sido hospitalizados”.

A vacina da gripe oferece proteção contra as cepas mais recentes do vírus (dos tipos A-H1N1 e A-H3N2 e B) e é capaz de reduzir o risco de casos graves, hospitalizações e mortes. “A proteção da vacina começa cerca de 15 dias após a aplicação. E por isso ela acontece nesta época, para que tenha maior efeito durante o inverno, período de maior circulação do vírus. A imunidade, no entanto, diminui ao longo dos meses, o que torna essencial a vacinação anual”, explica Tani Ranieri.

Idosos são os mais atingidos por infecções do vírus da gripe

Dados recentes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) registram crescimento acelerado dos casos de doenças respiratórias no país, especialmente da influenza A, que já supera a covid-19 como principal causa de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em idosos. Os vírus Sincicial Respiratório (VSR) e Influenza, altamente contagiosos, estão entre os mais perigosos e podem desencadear complicações severas em pessoas com mais de 60 anos, especialmente aquelas com comorbidades.

Até o início de maio, o Brasil registrou 24.571 casos de hospitalização por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Desses, 50% foram atribuídos ao VSR nas quatro semanas anteriores, assim como 11% dos óbitos, segundo o Boletim Epidemiológico InfoGripe da Fiocruz. O presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Alberto Chebabo, explica por que as chances de agravamento dos quadros respiratórios são maiores nos idosos.

“Com o avanço da idade, o sistema imunológico se torna menos eficaz no combate a infecções. Essa diminuição da capacidade de defesa faz com que os idosos sejam mais suscetíveis a quadros graves de doenças respiratórias, como as causadas pelo Vírus Sincicial Respiratório que, tradicionalmente, afeta mais bebês e crianças”, avalia Chebabo.

Comorbidades

Muitos idosos vivem com doenças crônicas, como cardiopatias, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), asma, diabetes ou insuficiência renal. Essas condições preexistentes aumentam o risco de complicações severas quando há infecção por um vírus respiratório, podendo levar a descompensações cardíacas e hospitalizações prolongadas.

“Os sintomas do VSR em idosos, muitas vezes confundidos com um resfriado comum, podem evoluir rapidamente para quadros graves, e, em situações extremas, podem levar à morte”, comentou o infectologista.

Estudo da Fiocruz mostra que a taxa de letalidade por VSR entre idosos no Brasil alcançou 26% entre 2013 e 2023 – 20 vezes maior do que em crianças. Em idosos com insuficiência cardíaca, o risco de hospitalização pelo vírus pode ser 33 vezes maior do que em idosos sem essa condição.

Mesmo após a alta hospitalar, um em cada três idosos que foram internados por vírus respiratórios, como VSR ou influenza, frequentemente relatam perda de funcionalidade para realizar atividades do dia a dia, com o impacto dessas infecções na qualidade de vida e na autonomia.

Vacinação

Como prevenção com a chegada das épocas mais frias, a vacinação se destaca como uma das estratégias mais eficazes para proteger a população idosa. “Além da imunização, medidas preventivas que já aprendemos durante a pandemia são fundamentais: lavar as mãos frequentemente, usar máscara caso apresente sintomas gripais, manter os ambientes arejados, evitar aglomerações e o contato com pessoas doentes”, completa Alberto Chebabo.

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