Sindicato lança campanha em defesa da saúde mental dos professores

A campanha vai ao encontro da atualização da NR-1, do Ministério do Trabalho, que entra em vigor no dia 26 de maio e introduz a obrigatoriedade de as empresas gerenciarem riscos psicossociais no trabalho
Sindicato lança campanha em defesa da saúde mental dos professores

A maior queixa dos professores é o excesso de trabalho para além da carga horária contratada

Foto: José Cruz/Agência Brasil

O Sindicato dos Professores (Sinpro/RS) lança, em maio, campanha de conscientização e de alerta, junto às instituições de ensino, para os principais fatores de adoecimento psicológico dos professores: o excesso de trabalho, a sobrecarga de tarefas e a falta de apoio institucional.

A campanha vai ao encontro da atualização da Norma Regulamentadora Nº 1 (NR-1), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que entra em vigor no dia 26 de maio e introduz a obrigatoriedade de as empresas gerenciarem riscos psicossociais no trabalho, que podem causar estresse, depressão e síndrome de burnout.

“A sobrecarga de trabalho, o excesso de alunos por turma, o planejamento fora do horário de trabalho, como avaliações, reuniões e demandas administrativas, têm provocado fadiga mental, estresse e aumentado o risco de burnout nos professores”, destaca Cecília Farias, diretora do Sinpro/RS. “Já a pressão por resultados, desempenho de alunos e avaliações institucionais mal conduzidas costumam levar à ansiedade, sentimento de incapacidade e frustração”, acrescenta Cecília.

Há três décadas, segundo ela, o Sindicato vem acolhendo professores e encaminhando para acompanhamento psicológico, afetados pelo estresse e com sinais de depressão, provocados por conflitos no ambiente de trabalho. Em 2007, a entidade sindical criou o Núcleo de Apoio ao Professor Contra a Violência (NAP), composto por uma equipe multidisciplinar para fazer o atendimento mais personalizado. Cecília afirma que, nesses atendimentos e em diversas pesquisas realizadas junto à categoria, o Sindicato identificou o excesso de trabalho como uma das principais causas de adoecimento de professores, seguido por assédio moral e ameaça à autonomia docente.

“A atualização da NR-1 vem na direção do que o Sinpro/RS sempre defendeu: de que as instituições de ensino precisam se adequar para prevenir o adoecimento dos profissionais de educação”, destaca Cecília.

Ainda em abril, o Sindicato encaminhou ofício às instituições de ensino privado alertando para a vigência da NR-1. No documento, a entidade aponta “que as recentes atualizações da Norma reforçam a necessidade de identificação, avaliação e controle dos riscos de natureza psicossocial, cada vez mais presentes no contexto educacional, comprometendo as escolas com a saúde, dignidade e valorização dos profissionais da educação”. Diante disso, o Sinpro/RS espera que as instituições adotem as medidas necessárias para adequação às novas exigências normativas, promovendo ações efetivas de prevenção e garantindo condições de trabalho que preservem a integridade física e mental dos docentes.

Desligamentos voluntários

O excesso de trabalho e a falta de apoio das instituições de ensino têm levado muitos professores a desistirem da docência. De novembro de 2025 a abril de 2026, 1.094 professores da rede solicitaram rescisão contratual, contra 1.303 que foram demitidos. No primeiro semestre do ano anterior, 1.174 professores apresentaram pedidos de demissão voluntária – equivalente a 63% do total de demissões em 2024.

Na pesquisa Perfil dos Professores do Ensino Privado do RS, edição 2023-2024, estresse e ansiedade receberam 62,8% e 56,3% menções, respectivamente, como os principais problemas de saúde da categoria ligados à atividade de professor. Dos respondentes, 20% se viam parando de lecionar em cinco anos.

Professores dos níveis infantil, fundamental, médio, superior e Educação de Jovens e Adultos (EJA) figuram no ranking que elenca as profissões com maior número de afastamentos no país. Iniciativa da plataforma SmartLab, o ranking é organizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), com dados do governo federal.

 

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