Educação
Uergs participa de estudo nacional sobre saúde mental nas universidades
Pesquisa mapeia os principais fatores de risco para a saúde mental de estudantes e servidores…

Edifício Marcopolo, em Assunção, sede do Ministério da Educação do Paraguai para atendimento aos estudantes
Foto: Cmasi-Wikimedia/CC4.0
Denúncias envolvendo diplomas falsos e títulos acadêmicos de origem duvidosa têm dominado o debate público no Paraguai nas últimas semanas. O caso ganhou repercussão nacional após o Ministério da Educação e Ciência do país (MEC-Py) confirmar a existência de pelo menos 250 diplomas fraudulentos utilizados por professores para ingressar ou progredir na carreira docente.
A investigação conduzida pelo Ministério Público, porém, aponta para um problema de proporções maiores. Cerca de 1.500 títulos estão sob suspeita e começam a revelar uma rede que envolve instituições de ensino, servidores públicos e fragilidades nos mecanismos de regulação do ensino superior. Os indícios também levantam suspeitas sobre a atuação de setores responsáveis pelo registro e pela supervisão das credenciais acadêmicas.
Um inquérito é conduzido pela promotora Teresa Sosa Laconich, agente fiscal do Ministério Público paraguaio. Inicialmente acionada para investigar denúncias sobre certificados docentes irregulares, a promotora afirma que os indícios encontrados apontam para a possível participação de setores administrativos do próprio MEC-Py e do Conselho Nacional de Educação Superior (Cones) no registro de diplomas suspeitos.
Segundo o ministro da Educação do Paraguai, Luis Ramírez, os 250 diplomas já identificados como fraudulentos não possuem qualquer registro acadêmico nas universidades que supostamente os emitiram. Em vários casos, as próprias instituições informaram que os documentos continham assinaturas falsificadas ou haviam sido adulterados.

Segundo o ministro da Educação do Paraguai, Luis Ramírez, os 250 diplomas já identificados como fraudulentos não possuem qualquer registro acadêmico nas universidades que supostamente os emitiram
Foto: MEC-PY/Divulgação
O escândalo ocorre em um contexto mais amplo de questionamentos sobre a qualidade e a fiscalização do ensino superior paraguaio. Especialistas ouvidos pela imprensa local apontam falhas no sistema de supervisão do Cones e denunciam a proliferação de cursos de graduação e pós-graduação sem controle adequado.
Um dos episódios que mais repercutiram nos últimos anos foi o do ex-senador Hernán Rivas. Ele renunciou ao mandato após ser investigado por supostas irregularidades relacionadas ao seu diploma de Direito. Segundo autoridades educacionais paraguaias, o título foi registrado anos depois de a universidade responsável ter encerrado oficialmente o curso. O caso tornou-se um símbolo dos problemas enfrentados pelo sistema de controle acadêmico do país.
Para José Duarte, presidente da Agência Nacional de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (Aneaes), os diplomas atualmente investigados podem representar apenas uma parte do problema. Ele afirma que, nos últimos anos, cerca de 100 mil diplomas foram registrados em cursos não acreditados e defende uma atuação mais rigorosa dos órgãos responsáveis pela supervisão universitária.
Outro conceito que ganhou destaque no debate paraguaio é o chamado “credencialismo”. O termo é utilizado por especialistas para descrever a valorização crescente de certificados e diplomas como requisito para promoções funcionais, concursos públicos e progressão salarial, independentemente da qualidade da formação recebida.
Segundo o ex-conselheiro do Cones Jorge García Riart, essa lógica tem alimentado um mercado de cursos e titulações voltado mais à obtenção de credenciais formais do que à formação efetiva dos profissionais.
O escândalo no Paraguai encontra pontos de contato com as investigações que vêm ocorrendo no Brasil. Desde agosto de 2025, a série Fábrica de Diplomas, publicada pelo Extra Classe, tem revelado a existência de um mercado voltado à oferta de títulos de mestrado e doutorado obtidos em instituições estrangeiras de credibilidade questionável ou mesmo em organizações criadas para se apresentar como instituições de ensino superior.
As reportagens mostraram que parte desses títulos foi revalidada por universidades brasileiras por meio de brechas ou distorções nos mecanismos previstos na legislação nacional. O caso mais emblemático envolve a organização denominada Faculdade Interamericana de Ciências Sociais (FICS).
Comandada a partir do Paraguai pelo brasileiro Ismael Fenner, a FICS alcançou cerca de mil registros de revalidação na Plataforma Carolina Bori antes que questionamentos sobre a regularidade acadêmica da instituição ganhassem visibilidade pública.
Assim como ocorre no Paraguai, grande parte do público-alvo desses cursos é formada por professores, servidores públicos e profissionais que buscam progressão funcional, melhoria salarial ou pontuação em concursos públicos.
No Paraguai, a investigação ainda está em andamento e poderá alcançar novas instituições e categorias profissionais. O escândalo já produz um amplo debate sobre a capacidade do Estado de fiscalizar o sistema universitário e garantir a autenticidade das credenciais utilizadas para o exercício de funções públicas.