Porto Alegre recebe 1º Semana de Ação Climática

Transição enérgetica ganha destaque e caso da CMPC Celulose será tema de painel na quinta, 23 de julho, no Centro Histórico

Foto: Instagram/Divulgação

Porto Alegre recebe a 1ª Semana de Ação Climática com mais de 90 atividades gratuitas, entre os dias 20 e 26 de julho. A previsão de tempestades para esta semana, já resultado da formação do fenômeno El Niño que traz chuvas mais volumosas ao sul do país, e os mais de dois anos da maior catástrofe hidrológica da história do Rio Grande do Sul, devem reafirmar Porto Alegre como espaço de reflexão, cooperação e construção de soluções frente aos desafios impostos pelos eventos climáticos extremos.

A programação conta com painéis, oficinas, rodas de conversa, exposições, ações comunitária e eventos voltados à mobilização social. Os eventos se dividem entre os campi da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Unisinos, o Espaço Cirandar, a Fundação Escola Superior do Ministério Público, dentre outros. A Semana de Ação Climática dialoga com os eixos da Agenda de Ação Climática Global da COP 30, a Conferência das Nações Unidas que ocorreu em Belém do Pará, em novembro de 2025.

Na noite de abertura, nesta segunda, 20, um balanço da COP 30 deverá nortear os debates da ação, com a presença de Ana Toni, diretora-executiva da COP 30. A COP teve como eixos a transição energética, biodiversidade, agricultura e sistemas alimentares, cidades resilientes, infraestrutura, recursos hídricos, desenvolvimento humano, inovação, participação social e transição justa.

Celulose, datacenters e parques eólicos

Na quinta-feira, dia 23 de julho, a mesa Vozes amplificadas: os custos socioambientais dos megaempreendimentos debate o tema com representantes de territórios atingidos pelos tipos de grandes projetos de infraestrutura que estão em processo de instalação ou expansão no Rio Grande do Sul: datacenters, parques eólicos e indústria de celulose. Especialistas devem contextualizar os processos de licenciamento e representantes de territórios que denunciam o silenciamento, falta de transparência e acesso à informação quanto às problemáticas dos empreendimentos, irão compartilhar suas vivências. O painel ocorre na Sala do Circo – Multipalco Eva Sopher, no Centro Histórico, a partir das 10 horas.

No bloco sobre datacenters, falam o Cacique Cláudio Acosta, liderança indígena Mbya-Guarani da Tekoa Guajayvi, localizada em Charqueadas-RS; Mauro Cruz, liderança do Assentamento Belo Monte, em Eldorado do Sul; Joana Winckler, pesquisadora do Observatório das Metrópoles. Sobre os parques eólicos, as palestrantes são Tagiane Vitória Machado de Carvalho, do Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP) da região da Lagoa dos Patos e Gabriela Rosa, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. Para tratar da celulose, reúnem-se Arnildo Werá, liderança indígena Mbya-Guarani da Tekoá Pindó Mirim, localizada em Itapuã, Viamão, e Paulo Brack, do Comitê técnico de análise e questionamento do EIA RIMA da CMPC Celulose.

“Existe uma maquiagem verde dizendo que esses empreendimentos são sustentáveis, mas temos que desnudar esse discurso de uma suposta sustentabilidade”, frisa o suplente de vereador Paulo Brack (PSOL), professor da Ufrgs, pesquisador e ativista ambiental. “É um custo enorme, essa grande demanda de energia, é inevitável que não gere gás de efeito estufa”.

O pesquisador é categórico: o atual modelo econômico de expansão contínua não incorpora o uso energético racional. Portanto, é preciso pensar outra economia que integre comunidades energéticas autônomas, que são modelos descentralizados de geração, gestão e consumo de energia limpa, de forma a pensar soberania e justiça energética.

O evento na capital gaúcha é organizado pela Pro Natura International, em parceria com a Themis, a Anistia Internacional, o Instituto Clima e Sociedade (iCS), a Coalizão pelo Clima do Rio Grande do Sul, o Ministério Público do Rio Grande do Sul e a Defensoria Pública.

A programação completa da 1ª Semana de Ação Climática pode ser conferida no link.

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