Dom Hélder: casa metralhada há exatos 50 anos

Bolsonaro disse que, se eleito, fará o Brasil retornar há 50 anos em termos de segurança. Ironicamente hoje, 24, completa 50 anos em que a casa de Dom Hélder foi alvejada por apoiadores da ditadura militar

Dom Hélder sofreu fortes perseguições pelas denúncias que fazia contra as violações dos direitos humanos no Brasil pelos militares que comandavam o país

Foto: Instituto Dom Helder Câmara

Sete meses após, em 1969, como era reconhecido e respeitado internacionalmente, Dom Hélder Câmara (1909-1999), então arcebispo de Recife e Olinda, foi alvejado indiretamente pela tortura e assassinato do padre José Henrique Pereira da Silva Neto. Padre Henrique era assessor da Pastoral da Juventude da diocese de Dom Helder e era considerado um filho pelo arcebispo que encontra-se em processo de canonização no Vaticano.

fOTO: Instituto Dom Helder Câmara/DivulgaçãoNascido em Fortaleza, Dom Helder Pessoa Câmara é o brasileiro até agora com o maior número de indicações ao Prêmio Nobel da Paz, tendo todas elas não logradas por força da diplomacia brasileira na época que atuou fortemente contra seu nome. O religioso, que agora tem o título de Servo de Deus, autorizado pela Igreja Católica, sofreu fortes perseguições internas pelas denúncias que fazia contra as violações dos direitos humanos no Brasil pelos militares que comandavam o país. Com a implantação do Ato Institucional número 5 (AI-5) seu nome foi censurado em todos o veículos de comunicação do Brasil. A presença de Dom Helder era inclusive vetada em universidades no país e constantemente o muro de sua casa nos anos 1970 aparecia com o slogan da ditadura pichado: Brasil, ame-o ou deixe-o.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que teve Dom Helder como seu fundador lançou no final da manhã desta terça-feira, 24, mais uma nota pública manifestando seu posicionamento para o segundo turno nas eleições do Brasil. ” Exortamos a que se deponham armas de ódio e de vingança que têm gerado um clima de violência, estimulado por notícias falsas, discursos e posturas radicais, que colocam em risco as bases democráticas da sociedade brasileira”, diz a CNBB.

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