Saúde
Farmácia distrital fechada e falta de remédios expõem crise na saúde pública de Porto Alegre
Às vésperas da 10ª Conferência Municipal de Saúde, usuários enfrentam falta de atendimento e de…

Desde a última sexta-feira, o uso de máscaras é obrigatório na cidade do Rio. A capital fluminense já não dispõe mais de leitos em UTI
Foto: Tomaz Silva/ Agência Brasil
O ministério da Saúde informou, neste domingo, 26, que o Brasil tem 61.888 casos confirmados de covid-19 e 4.205 mortes. De acordo com a última atualização do órgão, 30.152 pessoas infectadas estão recuperadas (49%) e 1.322 óbitos estão em investigação. Nas últimas 24 horas, o ministério registrou 3.379 novos casos, o que representa incremento de 5,8% em relação aos dados de sábado e 189 mortes, alta de 4,7%. O país tem ainda 27.531 pacientes em acompanhamento (44%), 30.152 recuperados (49%) e 1.322 óbitos em investigação.
O estado com maior número de casos e óbitos é São Paulo: 20.715 e 1,7 mil, respectivamente. Em seguida, vem o Rio de Janeiro, com 7.111 casos e 645 mortes. Em terceiro lugar, está o Ceará com 5.833 casos e 327 mortes. O estado com o menor número de casos é Tocantins, com 58 casos confirmados, e duas mortes.
Infográfico: Ministério da SaúdeAs mortes provocadas por Covid-19 têm dobrado, em média, num intervalo de cinco dias no Brasil. Nos Estados Unidos e no Equador, países com taxas altas de disseminação da epidemia, o intervalo para essa duplicação, em período similar, seria de seis dias. Na Itália e na Espanha, oito.
Este é um dos dados divulgados na mais recente nota técnica do Monitora Covid-19, sistema que agrupa e integra dados sobre a pandemia do novo coronavírus no Brasil. Epidemiologistas, geógrafos e estatísticos do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz), têm se debruçado sobre a ferramenta para elaborar análises sobre o avanço da doença.
Observando o crescimento diário dos casos de Covid-19 nas semanas de 29 de março a 4 de abril, 5 a 11 de abril e 12 a 16 de abril, os cientistas apontam que a pandemia segue com alto crescimento no número de casos na região Norte, marcadamente no estado de Rondônia, e no Nordeste, onde se destacam os estados do Piauí, Alagoas e Ceará. Também é preocupante a situação dos estados do Pará, Amapá, Maranhão e Pernambuco, que seguem com tendência de crescimento acelerado no número de casos.
“O que mais preocupa com relação à propagação da doença no país diz respeito a dois aspectos. Primeiramente, o tempo de recuperação lento associado à alta taxa de contaminação tem ocupado leitos das grandes cidades, e pode provocar colapso do sistema de saúde nessas cidades. Em segundo lugar, à medida que a doença avança para o interior e atinge cidades menores, a demanda por serviços mais especializados de saúde, como UTI e respiradores, também cresce. Só que esses municípios menores, em sua maioria, não detêm esses recursos de saúde, então terão que enviar seus pacientes a centros maiores, que já apresentam leitos, equipamentos e pessoal de saúde em situação difícil”, alerta o epidemiologista Diego Xavier, pesquisador do Laboratório de Informação em Saúde do Icict.
UTIS NO LIMITE – O Rio Grande do Sul tem 1.208 casos e 38 óbitos. A maioria das mortes foi notificada pela secretaria municipal de Saúde da capital, que está com uma taxa de ocupação de 73,4% das vagas de UTI, ou seja, 411 dos 560 leitos dos hospitais públicos de Porto Alegre estão com pacientes graves em tratamento. Há um mês, quando a população gaúcha começou a furar o isolamento social, o percentual de internação em UTI era 65,7%. Nos estados do Amazonas, Ceará, Pará e Pernambuco, a ocupação dos leitos de UTI destinados a pacientes infectados com o novo coronavírus já ultrapassou 90%. No Rio Grande do Sul e em São Paulo, o percentual já é superior a 50%. No Rio de Janeiro, 74% – somente um hospital ainda dispõe de vagas, em Volta Redonda. Neste domingo, a capital mineira, Belo Horizonte, ficou com 78% dos leitos de UTI na rede pública de saúde lotados.

Ministério da Saúde vai entregar até o final de abril menos de 2% do total de respiradores prometido
Foto: MS/ Divulgação
RIO DE JANEIRO – O estado do Rio de Janeiro registrou nas últimas 24 horas 283 casos confirmados e 30 óbitos, segundo dados divulgados pela secretaria estadual de Saúde. Outros 278 óbitos seguem em investigação. A capital registra o maior número de casos confirmados: 4.498. Os demais municípios com maior incidência são Nova Iguaçu (310), Duque de Caxias (300), Niterói (260) e Volta Redonda (189). Dos 92 municípios do estado, 76 apresentaram casos do novo coronavírus e 41 já registraram mortes em decorrência da doença. A cidade do Rio de Janeiro segue com o maior número de óbitos (383). Em seguida, está o município de Duque de Caxias, um dos últimos a fazer o isolamento social, com 63 mortes. Nova Iguaçu (24), Niterói (19) e São Gonçalo (19) completam a lista dos cinco municípios com mais óbitos no estado. Desde a última sexta-feira, 24, não há mais vagas de UTI para pacientes de Covid-19 com o novo coronavírus na cidade do Rio. Nos últimos 14 dias, a taxa de ocupação de UTI passou de 41% em enfermaria e 63% em leitos para 66% e 80%, de acordo com a secretaria estadual de saúde.
RESPIRADORES – O ministério da Saúde anunciou a entrega de 272 respiradores produzidos pela indústria nacional até o final deste mês. A quantidade de equipamentos a serem enviados aos estados corresponde a menos de 2% dos 14,1 mil equipamentos prometidos pela pasta. Após o cancelamento de fornecedores internacionais, uma rede com mais de 15 instituições envolvidas dará suporte ao SUS para entregas ao longo de três meses.
O estado de São Paulo registrou nas últimas 24 horas mais 33 óbitos decorrentes da covid-19. No total, a doença já matou 1,7 mil pessoas no estado. Na capital foram registrados 66% dos óbitos, enquanto no interior, litoral e cidades da Grande São Paulo, 34%. A mesma proporção ocorre em relação aos casos confirmados da doença, 20.715. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde.
De acordo com a pasta, permanece em 128 o número de cidades paulistas que já registraram ao menos uma morte decorrente de covid-19. O número de municípios com, no mínimo, um caso confirmado da doença continua 284, ou 44% das cidades do estado. Não houve alteração nesses números em comparação ao balanço divulgado do domingo, 25.
Em relação a internações, a rede pública de saúde em São Paulo funciona com ocupação de 58,9% dos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) reservados para o tratamento de covid-19. Na Grande São Paulo, esse número é de 77,3%. Também não houve variação desses números em relação aos dados de ontem.
Neste domingo, há 7,5 mil pacientes com suspeita ou com a doença confirmada internados em hospitais da rede pública paulista: 2.908 em UTIs e 4.619 em enfermarias. Ontem, esses números eram 2.906 e 4.546, respectivamente.