GERAL

Minneapolis em chamas

“O racismo não está piorando, ele só está sendo filmado”
Por Gilson Camargo / Publicado em 23 de junho de 2020
O assassinato de George Floyd durante uma abordagem policial incendiou os EUA, com protestos em mais de 80 cidades

Foto: Redes Sociais/Reprodução

O assassinato de George Floyd durante uma abordagem policial incendiou os EUA, com protestos em mais de 80 cidades

Foto: Redes Sociais/Reprodução

Floyd: execução sumária diante das câmeras de celulares

Foto: Redes Sociais/ Reprodução

Floyd: execução sumária diante das câmeras de celulares

Foto: Redes Sociais/ Reprodução

Em uma rede social, o ator Will Smith sintetizou o contexto do assassinato do ex-segurança negro George Floyd, 46 anos, sufocado pelo policial branco Derek Chauvin, em Minneapolis, EUA, no dia 25 de maio. “O racismo não está piorando, ele só está sendo filmado”, resumiu o astro de MIB – Homens de Preto, que estreou no cinema em 1992, como protagonista de A lei de cada dia. Registrado em vídeo, o crime provocou uma onda de protestos antirracistas que varreu a maioria dos estados norte-americanos e se estendeu por mais de 70 cidades, com enfrentamentos entre manifestantes e polícia, viaturas e prédios incendiados, detidos, mortos e feridos. Um levante nunca visto na extensa história de negros massacrados por policiais dos estados conservadores do império. A revolta reverberou em Toronto, Londres e Berlim. “Eu não estou conseguindo respirar”. O apelo derradeiro de Floyd é idêntico ao de Eric Garner, 43, pisado no pescoço e sufocado até a morte ao ser preso pelo agente Daniel Pantaleão, da NYPD, no distrito de Staten Island, em Nova York, em 17 de julho de 2014.

Jovem, pobre e negro: uma sentença de morte

No Brasil, assusta a apatia diante do massacre de jovens e crianças negras, como João Pedro, 14 anos,  vítima da truculenta PM carioca

Foto: Redes Sociais/ Reprodução

No Brasil, assusta a apatia diante do massacre de jovens e crianças negras, como João Pedro, 14 anos, vítima da truculenta PM carioca

Foto: Redes Sociais/ Reprodução

O Brasil é insuperável em crimes de recortes social e racial e concentra o maior número de assassinatos no mundo. Das mais de 65 mil mortes violentas registradas por ano, a maioria é de jovens entre 15 e 29 anos. Para a Anistia Internacional, há algo pior do que essa tragédia: a indiferença da sociedade diante de milhares de vidas perdidas.

Motivada pela urgência de um debate sobre o massacre da população negra, a Anistia se somou à luta das organizações negras brasileiras e lançou a campanha Jovem Negro Vivo que chama a atenção para o perfil das principais vítimas dessas mortes: jovens, negros, do sexo masculino, moradores de periferias. “Os estereótipos negativos associados à juventude e à pobreza e, junto com eles, o racismo, fazem com que não se dê a resposta adequada e necessária ao fato estarrecedor de que cerca de 77% dos jovens assassinados no Brasil sejam negros. Tantas mortes de jovens negros que vivem em favelas e periferias terminam sendo banalizadas e naturalizadas. É como se a vida de um jovem negro valesse menos do que a de um jovem branco, morador de áreas mais nobres da cidade”, destaca.

Homem jovem, solteiro, negro, com até sete anos de estudo e que esteja na rua nos meses mais quentes do ano entre 18h e 22h. Este é o perfil dos indivíduos com mais probabilidade de morte violenta intencional no Brasil. Os homicídios respondem por 59,1% dos óbitos de homens entre 15 a 19 anos no país, de acordo com o Atlas da Violência – os dados serão atualizados em junho. Em 2017, quase 36 mil jovens de 15 a 29 anos foram mortos, uma taxa de 69,9 homicídios para cada 100 mil jovens, recorde nos últimos dez anos.

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